A Importância do Cargo de Vice em Minas Gerais
A política em Minas Gerais sempre tratou o cargo de vice de forma pragmática, mas os acontecimentos recentes na Prefeitura de Belo Horizonte e no Palácio da Liberdade forçam os eleitores a reavaliar essa tradição de desatenção. A ascensão de Álvaro Damião ao cargo de prefeito expõe uma realidade pouco confortável: os vices governam em Minas. Não como uma exceção, mas sim como um padrão recorrente. O papel de vice deixou de ser apenas um detalhe nas urnas, transformando-se na peça central da governabilidade e um caminho mais direto rumo à caneta cheia.
Belo Horizonte: Um Modelo de Sucessão de Vices
Atualmente, a capital mineira é um verdadeiro laboratório sobre a sucessão política. O ciclo de sucessão é didático: o eleitor votou em Alexandre Kalil, que se afastou, e então Fuad Noman, seu vice, assumiu o cargo. Com a morte de Fuad, Álvaro Damião, também vice, chegou à prefeitura. Essa cadeia sucessória revela que Damião chegou à liderança da cidade através da linha constitucional, e não pelo voto direto. O dado político é emblemático: o cidadão que digitou seu número na urna anos atrás agora é governado por um nome que, à época, era apenas uma imagem pequena na tela.
Minas Gerais já passou por esse enredo diversas vezes. A tradição do “vice-herdeiro” é forte no estado. Itamar Franco, por exemplo, ascendeu ao governo após ser vice de Collor, assim como Antonio Anastasia, que assumiu quando Aécio Neves mirou o Planalto e posteriormente conquistou a reeleição. Agora, este ciclo se repete com Romeu Zema e Mateus Simões. Ao contrário das figuras decorativas do passado, Simões se destaca como um elemento central no governo. Com Zema sendo cogitado para candidaturas nacionais, o vice atua como um “governador em exercício” constante, exercendo um papel técnico e político significativo.
O Papel do Eleitor na Nova Realidade Política
A frequência desses casos gera um efeito cumulativo, levando o eleitor mineiro a compreender que o voto na chapa é, essencialmente, um voto em duas pessoas. O vice deixou de ser apenas um “nome para compor alianças” ou para “equilibrar partidos”. Hoje, ele é visto como um:
- Seguro de governabilidade.
- Gestor em espera.
- Provável futuro ocupante da cadeira em dois anos.
Os Desafios de 2026
Esse cenário alerta para as próximas eleições. Chapas formadas de maneira improvisada, com vices que podem ser inexperientes, radicais ou desconhecidos, representam um risco real. “Quem escolhe mal o vice entrega o governo a alguém que talvez não escolhesse sozinho”, afirma um analista político. Nesse panorama, Mateus Simões se destaca por já ter enfrentado o “teste do vice”. Concordando ou não com suas ideias, Simões já é reconhecido como uma força política real, não apenas um figurante no cenário.
A Nova Abordagem do Eleitor Mineiro
A política mineira está passando por um momento de reeducação institucional. Em 2026, mais do que nunca, o eleitor deverá se concentrar menos em nomes isolados e mais em linhas de sucessão. As escolhas feitas hoje podem determinar o futuro político do estado e, portanto, é essencial que os eleitores estejam atentos não apenas às figuras que estão no palanque, mas também àqueles que podem assumir a liderança ao longo do caminho.
