Unidade da Direita e Críticas ao Governo Federal
Em uma recente entrevista ao podcast do site Jamildo.com, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reforçou sua pré-candidatura presidencial pelo Partido Novo durante visita a Pernambuco. Ele acredita que a direita deve se apresentar unida no segundo turno das eleições de 2026, mesmo com vários nomes na disputa. Segundo Zema, essa união é essencial para garantir uma maior convergência de votos após o primeiro turno.
O governador não hesitou em criticar o governo Lula, especialmente no que diz respeito à economia. Em suas declarações, ele argumentou que a administração atual está comprometendo o crescimento do país com uma gestão fiscal irresponsável. Zema perguntou retoricamente: “Como podemos avançar se temos juros altos e um governo que dá com uma mão e tira com a outra?”, referindo-se ao fato de que, enquanto programas sociais são mantidos, o custo de vida aumenta devido aos altos juros.
Propostas para a Economia e o Combate a Privilégios
Entre suas propostas, Zema destacou a necessidade de reduzir os juros por meio de uma política fiscal responsável, bem como defender a flexibilização das regras trabalhistas. Ele enfatizou que, na sua visão, a estrutura atual da economia favorece apenas aqueles que já têm capital, enquanto desestimula o investimento produtivo. “A manutenção de juros elevados prejudica o consumo e o investimento, o que é um verdadeiro freio para a economia do país”, avaliou.
Gestão Técnica e Redução de Privilégios
Zema tem procurado transformar seu estilo de gestão em um diferencial no cenário político nacional. Ele afirmou que, em Minas Gerais, eliminou privilégios e cortou custos desnecessários: “Não nomeei parentes e reduzi as mordomias associadas ao cargo”, declarou. Além disso, ele se comprometeu a manter um padrão de vida semelhante ao que tinha antes de assumir o governo, o que representa uma mudança em relação à política tradicional.
O governador também mencionou que o estado possui apenas 14 secretarias, número inferior ao de algumas unidades federativas com população menor, o que, segundo ele, demonstra uma gestão mais eficiente e menos burocrática.
Críticas ao Nordeste e a Práticas Políticas
Ao ser questionado sobre os incentivos regionais, Zema adotou um tom conciliador, reconhecendo as qualidades do Nordeste, mas não poupou críticas às práticas de algumas lideranças políticas locais. Ele mencionou “arranjos” e privilégios que considera inadequados, embora não tenha citado nomes específicos. “O que buscamos com o COSUD é somar forças, não competir”, enfatizou, referindo-se ao Consórcio Sul-Sudeste, que co-idealizou.
Propostas Trabalhistas e Previdência
O governador também abordou as questões trabalhistas, fazendo uma crítica sutil ao governo Lula ao mencionar a elevada informalidade no Brasil. Para Zema, a solução reside em modernizar as regras trabalhistas, criando um modelo alternativo que ele chamou de “CLT 2”, com contratos mais flexíveis e pagamento por hora. Ele também se posicionou contra jornadas exaustivas, mas destacou que deve haver liberdade na negociação entre empregador e empregado.
Em relação à Previdência, Zema considerou o tema um desafio a ser enfrentado pelo próximo presidente. Ele propôs que, ao aumentar a expectativa de vida, o tempo de contribuição também se amplie, com o argumento de que viver mais requer uma maior contribuição para a previdência.
Educação e Políticas Sociais
No campo educacional, Zema defendeu a ampliação das escolas cívico-militares em Minas, afirmando que este modelo deve coexistir com o tradicional, oferecendo mais disciplina e segurança. Também se posicionou a favor de restrições ao uso de celulares nas salas de aula, argumentando que isso é essencial para evitar distrações.
Em relação ao Bolsa Família, o governador considerou o programa fundamental, mas propôs a implementação de contrapartidas, como a exigência de frequência escolar e serviços comunitários para beneficiários aptos ao trabalho. “Devemos incentivar a transição para o emprego formal e reduzir a dependência de benefícios”, destacou.
Governabilidade e Relacionamento com o Centrão
Sobre a governabilidade, Zema declarou que, em Minas, não se utiliza do modelo tradicional de “toma lá dá cá” para garantir apoio. Ele defendeu um alinhamento político baseado em projetos e prioridade para ações estruturantes, em vez de respostas pontuais que não resolvem o problema de forma eficaz.
Encontro com Empresários e Futuro do Novo em Pernambuco
Por fim, o governador elogiou o vereador recifense Eduardo Moura, destacando o potencial de crescimento do Novo em Pernambuco. Zema ressaltou que sua agenda inclui ouvir empresários e que a sua missão é “atrapalhar menos” e resolver questões que afetam diretamente a economia local. Assim, ao apresentar-se como um gestor austero e em defesa de uma direita unida, Zema busca se preparar para um embate significativo nas eleições de 2026.
