Desafios à Frente
A renúncia do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), abre um novo capítulo na política estadual com a ascensão do vice-governador Mateus Simões (PSD). Ele assume o cargo em um cenário repleto de desafios administrativos e políticos, especialmente com as eleições se aproximando. Simões terá a responsabilidade de dar continuidade às obras de infraestrutura iniciadas pela gestão anterior, como a conclusão de três hospitais regionais e a inauguração da linha 2 do metrô de Belo Horizonte. Além disso, o vice-governador dará andamento à privatização da Copasa, a estatal de saneamento básico, cuja autorização foi concedida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no ano passado.
No entanto, essa privatização não veio sem polêmicas. A oposição questiona a legalidade de uma emenda aprovada que isentou o governo da realização de uma consulta popular antes do processo de desestatização, levando a um questionamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa do governo, por sua vez, é que os recursos provenientes da venda da Copasa ajudem a quitar uma dívida de cerca de R$ 180 milhões com a União.
Pressões e Expectativas dos Servidores
Outro desafio significativo para Simões será a pressão por reajustes salariais dos servidores públicos. Trabalhadores da saúde e da educação têm realizado greves, reclamando de melhorias salariais desde 2024. O governo propôs um aumento de 5,4%, ligeiramente acima da inflação de 4,26% registrada em 2025, mas a aceitação dessa proposta depende agora da aprovação da Assembleia. Na semana passada, a ALMG rejeitou dois vetos do ex-governador Zema, um deles relacionado à promoção de servidores da educação sem a exigência de cinco anos em um mesmo nível.
Contexto Eleitoral e Incertezas
Além dos desafios administrativos, Simões também se prepara para uma campanha eleitoral, buscando se consolidar como candidato a governador. Porém, ele enfrenta um desafio considerável: a baixa visibilidade de seu nome entre os eleitores. Segundo dados de uma pesquisa da Genia/Quaest, realizada no ano passado, o vice-governador obteve apenas 4% das intenções de voto nas simulações de primeiro turno, enquanto o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) lidera com 26%.
Recentemente, Cleitinho sinalizou sua intenção de se candidatar, apoiado por seus colegas de partido em nível estadual e nacional. A movimentação do senador para escolher o prefeito de Patos Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), como seu candidato a vice traz ainda mais complexidade à corrida eleitoral. Para Simões, a candidatura de Cleitinho representa um risco, porém, a situação ainda é considerada incerta.
Formação da Chapa e Alianças
O vice-governador já está moldando sua chapa eleitoral, com a definição de sua vice a cargo de Zema. Entre os nomes cotados estão a vereadora de Belo Horizonte, Fernanda Altoé (Novo), considerada uma amiga próxima de Simões, e o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), irmão de Cleitinho. O ex-deputado federal Tiago Mitraud (Novo) também está na lista de possíveis candidatos a vice.
Simões já se posicionou quanto à indicação do Senado, revelando que pretende apoiar o ex-secretário de Minas, Marcelo Aro (PP), que se desincompatibilizou do cargo recentemente. A segunda vaga na chapa será destinada ao PL, que ainda está avaliando a possibilidade de lançar uma candidatura própria. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi cogitado, mas já descartou essa opção. Também há especulações sobre a candidatura do presidente da Federação das Indústrias de Minas (Fiemg), Flávio Roscoe, mas a decisão ainda não foi confirmada.
Reações da Oposição e Cenário Político
No campo da oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD), que pode mudar de partido, mas mantém a possibilidade de concorrer ao governo. Como alternativa, o PT em Minas discute apoiar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), ou posicionar outros nomes dentro da legenda.
A situação é considerada complicada, uma vez que alguns possíveis candidatos do PT não demonstram interesse em concorrer, enquanto outros, como Kalil, são vistos como indesejados pela base petista. Segundo analistas, a intenção do PT de lançar candidatos parece mais uma estratégia para apoiar Lula do que uma busca genuína por lideranças locais.
