Movimentações na Câmara dos Deputados
A janela partidária, que encerrou na última sexta-feira (3), resultou em mais de 20% de trocas na Câmara dos Deputados, um reflexo direto da disputa eleitoral iminente. O saldo de movimentações, que ainda pode aumentar conforme a formalização das filiações, foi registrado em um levantamento da CNN que contabilizou pelo menos 128 mudanças entre deputados titulares. A análise considerou dados disponíveis na Câmara, anúncios em redes sociais e informes partidários até sábado, dia 4.
O PL, maior partido na Casa, saiu fortalecido deste processo, agora contando com 97 representantes. A sigla, que experimentou um crescimento significativo, havia iniciado o período com 87 deputados, após eleger 99 em 2022. Este aumento de membros deve ser considerado um indicativo da recuperação de perdas anteriores, reforçando o papel do partido no cenário político atual, especialmente sob a liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Cenário de Perdas e Ganhos
Por outro lado, o União Brasil foi o partido que sofreu a maior quantidade de saídas, com 29 perdas, embora tenha conseguido compensar um pouco essa situação com 21 novas adesões, mantendo atualmente 51 integrantes. Apesar da redução em relação ao período de troca, a sigla permanece como a terceira maior bancada da Câmara.
O Partido dos Trabalhadores (PT), vinculado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também viu mudanças significativas, incluindo a saída da deputada Luizianne Lins (CE), que após 37 anos de filiação, optou por se juntar à Rede. No entanto, registrou uma nova adesão com Paulo Lemos (AP), consolidando sua posição como o segundo maior partido, com 67 deputados.
A movimentação atraiu atenção adicional ao PSDB, que conseguiu registrar 11 novas adesões, enquanto perdeu sete membros, totalizando 19 integrantes. Em contraste, o PDT apresentou um saldo negativo, com apenas um novo deputado filiado, enquanto perdeu oito de seus membros.
Análise das Mudanças Partidárias
Os dados sobre a troca de partidos também incluem informações sobre outras siglas. O PP, PSD e Republicanos, por exemplo, mostraram um equilíbrio em suas trocas, com saídas e adesões em números semelhantes. A seguir, um panorama da movimentação:
- União Brasil: 29 saídas e 21 adesões;
- Republicanos: 15 saídas e 15 adesões;
- PSD: 15 saídas e 15 adesões;
- MDB: 13 saídas e 7 adesões;
- PP: 10 saídas e 6 adesões;
- PL: 10 saídas e 21 adesões;
- PDT: 8 saídas e uma adesão;
- PSDB: 7 saídas e 11 adesões;
- PSB: 5 saídas e 6 adesões;
- Avante: 4 saídas e uma adesão;
- PRD: 3 saídas e 1 adesão;
- Podemos: 2 saídas e 13 adesões;
- Solidariedade: 3 saídas e 2 adesões;
- Rede: 1 saída e 2 adesões;
- PT: 1 saída e uma adesão;
- Cidadania: 1 saída e 0 adesões;
- MISSÃO: 0 saídas e 1 adesão;
- PC do B: 0 saídas e 1 adesão;
- PSOL: 1 saída e 1 adesão;
- PV: 0 saídas e 1 adesão.
Este fenômeno de movimentação partidária, que ocorre a cada 30 dias, teve início em 5 de março e é regulado pela legislação eleitoral, permitindo que deputados e vereadores façam suas trocas sem penalidades. O conceito de fidelidade partidária estabelece que os mandatos pertencem ao partido e não ao candidato individual, justificando a janela apenas em anos eleitorais e a seis meses das eleições.
Próximos Passos no Cenário Eleitoral
Com a conclusão deste período de trocas, os próximos passos envolvem as convenções partidárias, onde os candidatos para as futuras eleições serão definidos. Em 2026, os brasileiros irão votar no primeiro turno das eleições no dia 4 de outubro, e essa movimentação partidária pode moldar significativamente os resultados nas urnas.
No que diz respeito ao Senado, as mudanças também foram notórias. Apesar de serem eleitos de acordo com a votação recebida, os senadores não são obrigados a seguir a janela partidária. Recentemente, o PSD teve saídas importantes, como a do senador Rodrigo Pacheco, que se filiou ao PSB, e da senadora Eliziane Gama (MA), que optou pelo PT. O senador Angelo Coronel (BA) também migrou para o Republicanos, enquanto o PSD conseguiu atrair Carlos Viana (MG) do Podemos.
