A Trajetória de um Poeta Singular
Em uma noite de 18 de novembro de 1963, no Cemitério da Saudade, um discurso que dispensava aplausos ressoou silencioso entre os presentes: “Caríssimos mortais: para o discurso que vou fazer dispenso o vosso carinhoso aplauso, porque o cemitério é um lugar de sossego, de respeito e, sobretudo, de silêncio”. Essas palavras foram proferidas por um homem envolto em mistério, vestido com uma longa capa preta, que atraía uma multidão de admiradores iluminados por velas e cercados por um caixão. Esse era Joviano Martins Soares Filho, conhecido como Conde Belamorte, um dos personagens mais intrigantes da cultura mineira do século XX.
Nascido na Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, no final da década de 1920, Joviano teve uma vida multifacetada. Ele atuou em livrarias, foi trompista da banda da Polícia Militar, trabalhou como barbeiro e alfaiate, além de se destacar como um poeta prolífico. Sua obra, que abordava a morte de maneira singular, rendeu-lhe comparações com o renomado Augusto dos Anjos, um precursor do simbolismo no Brasil.
A série especial “Sabia Não, Uai!” do Estado de Minas decidiu mergulhar nos arquivos históricos para recuperar a história fascinante de Joviano, que se tornou uma figura emblemática em Belo Horizonte durante os anos 1960, ao ser batizado de Conde Belamorte. Em sua barbearia, localizada no Bairro Santa Efigênia, ele transformou o espaço em um verdadeiro templo da poesia, onde promovia saraus à meia-noite, cercado por caveiras, um caixão e a luz suave de velas.
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