Shenzhen: O Futuro da robótica na China
Após uma excursão por cidades icônicas como Xangai, Hangzhou, Pequim e Cantão, nossa jornada se encerra em Shenzhen. Imagine essa metrópole sem seus altos edifícios, apenas campos de arroz e o rio Shenzhen, que separa a cidade da ilha vizinha de Hong Kong.
Nos anos 80, Shenzhen era uma humilde vila de pescadores, enquanto Hong Kong, sob domínio britânico, prosperava. Muitos arriscavam atravessar o rio a nado na esperança de uma vida melhor. A transformação começou com o presidente Deng Xiaoping, que decidiu transformar Shenzhen em um laboratório do capitalismo dentro de um regime comunista, criando a primeira zona econômica especial da China.
Quarenta e cinco anos depois, Shenzhen se destaca como o Vale do Silício da China, um centro de tecnologia onde a antiga vila de pescadores agora é responsável pela fabricação de um futuro repleto de inovações. A cidade corre a passos largos para criar uma nova geração de robôs humanoides que imitam a forma humana, com a capacidade de ouvir, enxergar e tomar decisões.
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A questão que paira no ar não é mais se esses robôs nos substituirão, mas sim quando isso ocorrerá e em quais circunstâncias. E até que ponto delegaremos o poder a essas máquinas?
A ansiedade sobre a busca pelo aprimoramento humano nos leva a refletir: por que não nos substituir por uma nova raça terrestre, mais eficiente e menos vulnerável?
Os planos da China para o futuro se tornaram evidentes ao longo do Festival da Primavera, que celebra o Ano Novo Chinês, e é assistido por 400 milhões de pessoas. Os robôs fizeram apresentações impressionantes, realizando danças e até lutando kung fu, superando as capacidades demonstradas apenas nove meses antes.
Enquanto a população chinesa encolhe e envelhece desde 2022, o país experimenta um desenvolvimento sem precedentes. Em uma década, os salários mais que dobraram, embora o custo de vida também tenha aumentado significativamente.
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Nas proximidades de Shenzhen, foi inaugurada a primeira linha de produção de robôs humanoides, com capacidade para fabricar até 10 mil unidades anualmente, o equivalente a um robô a cada 30 minutos. Estes robôs estão sendo integrados ao setor automotivo e mostram-se aptos a realizar tarefas como movimentar peças de um lugar para outro. O torso é móvel e os olhos funcionam como câmeras, permitindo que se adaptem a diversas funções.
Em Cantão, um desses robôs já orienta passageiros do metrô a passarem pelos procedimentos de segurança antes de embarcarem nos trens. Um dos principais desafios, no entanto, continua sendo a coordenação motora fina, que, embora pareça simples para nós, é complexa para as máquinas. O criador de um dos robôs afirma que sua empresa é pioneira nesse aspecto, oferecendo uma coordenação motora sem precedentes entre humanoides.
Outro projeto interessante é um robô ‘vovozinha’, que exibe expressões faciais. O proprietário da empresa que o fabrica acredita que, em breve, esses robôs estarão presentes nas casas das pessoas, sendo um desafio torná-los acessíveis financeiramente para os consumidores chineses.
Os principais concorrentes da China nesse setor são os Estados Unidos, com destaque para o robô Optimus, desenvolvido por Elon Musk, que promete desempenhar tarefas domésticas e industriais a um custo de 20 mil dólares por unidade. Já o robô Neo, também americano, está disponível por um preço semelhante, mas funciona sob controle remoto, com um operador limpando a casa à distância. Esse modelo tem sido denominado como ‘telefaxina’.
Para facilitar a adoção desses novos robôs, o governo chinês implementou centros de treinamento em várias cidades, onde os humanoides podem aprender através de simulações da vida real. Com o tempo e prática, eles evoluem em habilidades, como pular ou colocar objetos em estantes.
Contudo, o espetáculo do Festival da Primavera deve ser visto como uma apresentação em constante evolução. Embora tenham demonstrado equilíbrio e coordenação, os robôs ainda cometem erros frequentes e dependem de supervisão humana constante, a maioria operando remotamente, semelhante ao funcionamento de um brinquedo eletrônico.
