Encontro Nacional com as Culturas das Infâncias chega a Minas Gerais em junho
Ao longo do mês de junho, Minas Gerais será o cenário do Encontro Nacional com as Culturas das Infâncias Brasileiras, uma iniciativa da Carretel Cultural que reúne uma série de atividades dedicadas a colocar a infância no centro dos debates culturais e educacionais. Mais do que uma programação, o evento oferece um espaço amplo para experiências, reflexões e articulações que valorizam o brincar como elemento fundamental para a cultura, a educação e a vida em sociedade.
A abertura acontece nos dias 1º e 2 de junho no Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte, com painéis focados em “Memória, Origem e Legado”, reunindo nomes de destaque nacional como Lydia Hortélio, Adelson Murta, Gil Amâncio, Sônia Maria Augusto e Abilde Maria, com mediação de Roquinho. Durante todo o mês, a programação se estende a universidades, escolas, parques e espaços culturais em Belo Horizonte, Betim e Igarapé, com acesso gratuito, atividades híbridas e recursos para acessibilidade.
Valorização da infância como produtora cultural
Roque Antônio Soares Júnior, conhecido como Roquinho, destaca que o Encontro mobiliza educadores, artistas, pesquisadores, gestores públicos, crianças e famílias em torno da pauta da infância como produtora ativa de cultura e base da vida coletiva. Ele prevê a participação presencial de cerca de três mil pessoas e a presença digital de mais de 30 mil espectadores, por meio das transmissões ao vivo.
O projeto, registrado sob o número LEIC:CA:2024.3808.0475, é patrocinado pelo Grupo SADA via Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, edital Descentra Cultura. A Carretel Cultural idealiza, realiza e curadoria o evento, com co-realização da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, e da Prefeitura de Igarapé, pelas Secretarias de Cultura e Turismo e de Educação. Também conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Governo de Minas Gerais, Empresa Mineira de Comunicação, Rádio Inconfidência e Rede Minas, além da produção da Fina Fazedoria e gestão da Neoplan Consultoria.
Lydia Hortélio: referência nacional na cultura da infância
Uma das presenças mais significativas do Encontro é Lydia Hortélio, pesquisadora, educadora, musicista e escritora reconhecida nacionalmente pela defesa da cultura da infância e do brincar. Com décadas dedicadas ao estudo das brincadeiras tradicionais e cantigas infantis, Lydia desloca o olhar sobre a infância de uma fase preparatória para a vida adulta para uma compreensão da criança como sujeito pleno, criador e detentor de saberes.
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Sua participação enriquece o evento ao trazer um pensamento que inspira educadores, artistas e pesquisadores por todo o país.
Carretel Cultural e Roquinho: mais de 30 anos dedicados à infância
A Carretel Cultural, responsável pelo Encontro, atua há mais de 15 anos pesquisando e desenvolvendo metodologias para as culturas da infância. Para a instituição, o brincar é uma linguagem universal e ferramenta essencial para a construção de vínculos e identidades. Roquinho, fundador da Carretel, é educador popular e pesquisador que há três décadas conecta cultura, educação e mobilização comunitária.
Ele desenvolve eixos de pesquisa como o “Acervo das Culturas das Infâncias”, a “Pedagogia das Essencialidades”, a “Arquitetura do Sentido Comunitário” e o “Mapa Imaginário”, consolidando sua atuação na interface entre cultura, educação e território.
Quintal das Infâncias: uma ação transformadora em Betim
Entre as iniciativas do Encontro está o “Quintal das Infâncias”, implantado no Núcleo Infantil Anna Medioli, em Betim, em parceria com o Coletivo Taboa e com envolvimento de educadores, comunidade escolar e voluntários do programa “Embaixadores do Bem” do Grupo SADA. A proposta reconhece o direito das crianças da primeira infância de brincar livremente em ambientes biodiversos que favoreçam seu desenvolvimento e conexão com a natureza.
O projeto, conduzido por Guilherme Blauth, busca transformar o espaço externo da escola em um território vivo de aprendizagem, inspirado na cultura mineira e nas práticas comunitárias tradicionais. A ação inclui a escuta ativa das crianças e profissionais para orientar a requalificação dos espaços, promovendo um processo pedagógico integrado à cultura da infância e ao bem-estar coletivo.
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Também faz parte da iniciativa a criação de um mural de arte urbana assinado por Anna Göbel, conectando arte, território e identidade local. O Quintal das Infâncias se configura como um legado permanente para a comunidade escolar, materializando na prática os princípios do Encontro.
Minas Gerais como polo estratégico para as culturas da infância
Realizar o Encontro em Minas Gerais reforça o papel histórico do estado, especialmente de Belo Horizonte, na construção de políticas públicas voltadas às culturas das infâncias. Nas últimas décadas, Minas tem se destacado por articular cultura, educação e gestão pública com abordagens sensíveis e territoriais.
Belo Horizonte, Betim e Igarapé formam um circuito que amplia o alcance do evento, unindo ações práticas, formações e intervenções urbanas. Essa articulação fortalece redes, políticas e práticas em todo o estado, inspirando outros municípios a desenvolverem iniciativas semelhantes.
Além disso, o Encontro contribui para o fortalecimento do acervo público das culturas das infâncias brasileiras, ampliando sua salvaguarda, circulação e acesso para Minas Gerais e o país.
Um convite à cultura, ao brincar e à coletividade
Com atividades gratuitas, acessíveis e abertas, o Encontro Nacional com as Culturas das Infâncias Brasileiras convida o público a se reconectar com o brincar, com a cultura e com formas mais sensíveis e coletivas de estar no mundo. O evento se apresenta não apenas como programação, mas como um espaço de encontro entre gerações, saberes e territórios, refletindo a importância da infância na construção cultural e social do Brasil.
