Investimento em economia verde transforma cenário empresarial em Minas Gerais
A Usina Cerradão, uma das maiores produtoras brasileiras de bioenergia a partir do bagaço da cana-de-açúcar, deve gerar em 2026 energia limpa suficiente para abastecer uma cidade de 900 mil habitantes por mais de um ano. Esse avanço é resultado do crédito verde concedido pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), que tem impulsionado projetos sustentáveis em diversas empresas mineiras.
No evento Conexão Verde: BDMG descarboniza, realizado na última quarta-feira (10/6), profissionais do setor e representantes empresariais destacaram como os investimentos em descarbonização agregam valor aos negócios e ampliam a competitividade no mercado. Com mais de 300 participantes, o encontro reforçou o papel estratégico da sustentabilidade para o crescimento econômico regional.
BDMG fortalece financiamento sustentável e amplia atuação estratégica
Segundo Gabriel Viégas Neto, presidente do BDMG, a agenda ambiental deixou de ser um tema secundário para assumir posição central na estratégia do banco. Até junho de 2026, o BDMG liberou R$ 276 milhões em crédito verde para empresas e municípios mineiros, estimulando a adoção de práticas que reduzem o impacto ambiental e promovem a economia de baixo carbono.
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Andréa Mota, executiva com 35 anos de experiência em empresas globais como L’Oréal e Coca-Cola América Latina, ressaltou que a sustentabilidade gera não apenas responsabilidade social e ambiental, mas também valor, receita e reputação. Para ela, a sustentabilidade precisa estar integrada na estratégia das empresas para se transformar em vantagem competitiva.
Oportunidades no agronegócio e avanços em descarbonização
No agronegócio, o crédito verde do BDMG tem aberto novas frentes de negócio. A Usina Cerradão, localizada em Frutal, no Triângulo Mineiro, investiu na aquisição do maior turbogerador movido à biomassa do mundo, ampliando sua capacidade de produção de energia a partir do bagaço da cana. Esse movimento permitiu à empresa entrar no mercado de comercialização de créditos de carbono, gerando receita adicional.
A Expocacer, cooperativa que reúne 760 cafeicultores do cerrado mineiro, também é um exemplo de inovação na economia verde. Ela é a primeira cooperativa certificada no mundo pelo café regenerativo e recebeu prêmios pelo protocolo Eco, que certifica a sustentabilidade em toda a cadeia produtiva do grão. Outras empresas, como a NetZero, apresentaram ações alinhadas à descarbonização durante o evento.
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Compromisso empresarial com a responsabilidade ambiental
Empresas de diferentes setores mostraram seus avanços em práticas sustentáveis. A farmacêutica Novo Nordisk destacou a implantação da sua primeira fábrica circular no mundo, localizada em Montes Claros, no Norte de Minas. Já a MRV compartilhou sua experiência com a compensação voluntária de carbono e o plano para reduzir emissões, envolvendo seus clientes nessa jornada.
No setor de transporte e logística, a VLI Logística e a Localiza apresentaram iniciativas que reforçam a economia verde e promovem a conscientização entre clientes e parceiros. O Grupo Heineken revelou o projeto HeiForest, que visa atingir o status net zero em toda a cadeia produtiva, incluindo o reaproveitamento hídrico na fabricação de bebidas.
O evento Conexão Verde, gratuito e aberto ao público, contou ainda com o apoio da Cemig, Invest Minas e Fiemg, consolidando Minas Gerais como um polo de desenvolvimento sustentável e inovação econômica.
