Crescimento no segundo trimestre e desafios no acumulado
A construção civil em Minas Gerais registrou avanço de 0,3% no segundo trimestre do ano, comparado aos primeiros três meses de 2026. Apesar dessa evolução recente, o setor ainda apresenta retração de 2,6% no acumulado do primeiro semestre, conforme dados do Boletim Setorial da Construção elaborado pela gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Essa oscilação mostra que o setor enfrenta dificuldades para sustentar uma recuperação sólida ao longo do ano.
Comparativo nacional revela cenário divergente
Enquanto Minas Gerais conseguiu avançar, o panorama nacional é oposto: o setor da construção no Brasil caiu 0,4% no segundo trimestre. No acumulado do semestre, o país mantém crescimento de cerca de 1%, contrastando com a retração do Estado. Esses números indicam que a construção mineira ainda não acompanha o ritmo nacional, mantendo desafios para reverter o desempenho negativo.
Infraestrutura impulsiona o mercado de trabalho
João Gabriel Pio, economista-chefe da Fiemg, destaca que a melhora no setor ocorre de forma gradual e ainda não é suficiente para reverter o quadro anual. O segmento de obras de infraestrutura sobressai, apresentando crescimento expressivo: o saldo de empregos nessa área subiu de 7,3 mil para 11,3 mil vagas entre janeiro e julho. No total, o emprego na construção mineira cresceu cerca de 4% no período, chegando a 21,6 mil postos de trabalho.
Leia também: Construção Civil em Minas Gerais Enfrenta Desafios com Crédito Mais Caro e Perde Força
Leia também: Minas Gerais: PIB Cresce 1,4% em 2025 e Alcança R$ 1,157 Trilhão
Por outro lado, a construção de edifícios enfrenta queda significativa, com uma redução de cerca de 70% no saldo de empregos acumulado. A desaceleração nesse segmento contribui para a retração geral do setor no Estado.
Vendas e custos pressionam o ritmo da construção
Outro ponto que afeta o setor são as vendas de materiais de construção, que recuaram quase 2% em Minas no acumulado do ano, superando a queda de 0,8% registrada no Brasil. Além disso, o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apontou alta de cerca de 6,7% nos últimos 12 meses até junho, pressionando os custos das obras.
Perspectivas para os próximos meses
A expectativa para o restante de 2026 é de que a construção civil em Minas encerre o ano próxima da estabilidade. Segundo João Gabriel Pio, os programas habitacionais e os investimentos em infraestrutura devem continuar impulsionando a atividade. No entanto, uma recuperação mais consistente depende de condições de financiamento mais favoráveis e da retomada da demanda privada.
O avanço gradual do setor, especialmente na infraestrutura, traduz-se em impacto direto na geração de empregos e na circulação econômica regional, elementos fundamentais para a melhoria da renda e do consumo em Minas Gerais.
