Desempenho da Construção Civil em Minas Gerais
O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil em Minas Gerais registrou uma queda de 3,7% no primeiro trimestre de 2026, conforme levantamento da Federação das Indústrias do Estado (Fiemg) divulgado em 8 de abril. Em contraste, o Brasil apresentou crescimento de 1,3% no mesmo período, evidenciando uma desaceleração mais acentuada do setor no estado comparado ao restante do país.
Na comparação com o trimestre anterior, a diferença entre Minas Gerais e a média nacional permanece significativa. Enquanto a construção mineira recuou 0,2%, a atividade nacional avançou 2,9%. Esse cenário reforça a continuidade da desaceleração observada desde 2025, ano em que o setor em Minas Gerais acumulou queda de 2,3%, frente a uma alta de 0,5% para o Brasil.
Fatores que Impactam o Setor
O economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, destaca que o setor enfrenta um ajuste mais intenso devido ao crédito mais caro, elevado custo de financiamento e baixa confiança dos investidores. Esses fatores têm limitado os investimentos privados e dificultado uma recuperação consistente da construção civil no estado.
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Apesar das dificuldades, alguns indicadores apontam para movimentos pontuais de recuperação. Em março, as vendas de materiais de construção em Minas Gerais cresceram 8,7% em relação ao mesmo mês de 2025, superando o resultado nacional de 8,1%. Entretanto, o acumulado do ano ainda mostra queda de 1,9%.
Mercado de Trabalho e Custos da Construção
O mercado de trabalho no setor também mostra sinais de enfraquecimento, com a população ocupada na construção civil em Minas Gerais diminuindo 2,4% na comparação anual. Em contraste, o Brasil registrou crescimento de 0,4% no emprego do setor.
Quanto ao custo da construção, o Índice Nacional de Custo da Construção – Disponibilidade Interna (INCC-DI) acumulou alta de 5,84% em 12 meses até março, abaixo dos níveis observados em 2025. Essa desaceleração foi influenciada pela menor pressão nos preços de materiais e serviços, que subiram 3,75%. Entretanto, a mão de obra continuou elevando os custos, com aumento acumulado de 8,82%.
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Condições Restritivas de Crédito
O levantamento da Fiemg também aponta que as condições de crédito continuam restritivas. Embora o financiamento imobiliário tenha alcançado R$ 21,8 bilhões em abril de 2026 — maior valor para o mês na série histórica —, o custo do financiamento para famílias e empresas permanece elevado.
As operações com taxas reguladas desempenharam papel decisivo, totalizando R$ 18,5 bilhões e representando 84,8% das concessões no período. Segundo a Fiemg, o crédito regulado tem sustentado o mercado habitacional, mas ainda não é suficiente para garantir uma retomada robusta da construção civil em Minas Gerais.
Programas habitacionais e investimentos públicos devem ajudar a evitar uma retração mais intensa. No entanto, a expectativa é que o setor encerre o ano próximo da estabilidade, com crescimento insuficiente para recuperar as perdas acumuladas, conforme avaliação da Fiemg.
