A trajetória de Romeu Zema nas eleições
Romeu Zema, atual governador de Minas Gerais, vem se destacando nas pesquisas eleitorais, podendo surpreender ou repetir a trajetória de Sérgio Moro em 2022, quando muitos esperavam mais do ex-juiz. O fato é que Zema, aos 62 anos, tem se posicionado como uma figura importante, especialmente ao se autodenominar o “anti Supremo”. Utilizando a internet de maneira eficaz, ele conseguiu massificar essa imagem, revertendo as atenções para sua candidatura.
Mas quem é esse mineiro, empresário e graduado em Administração pela FGV, que até então não possuía uma trajetória política sólida antes de assumir o governo do Estado? De forma notável, Zema tem se mostrado ativo nas redes sociais e é considerado um mestre em marketing pessoal. Com seu jeito simples, sotaque característico e a imagem de um cidadão comum que dirige seu próprio carro e vive longe das regalias do poder, ele conquistou a simpatia do eleitorado.
Desafios e Oportunidades nas Pesquisas
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A grande vantagem de Zema nas pesquisas é sua capacidade de atrair o público, apesar de 51% dos entrevistados afirmarem não conhecê-lo. No entanto, entre aqueles que estão cientes de sua candidatura, apenas 18% manifestaram disposição para votar nele, enquanto 31% revelaram que não o apoiariam. Esses números são semelhantes aos de Ronaldo Caiado, do PSD, que também é visto como um candidato fora do espectro político tradicional.
Um dos principais desafios que Zema enfrentará ao longo de sua campanha é sua gestão em Minas Gerais. Ao assumir o governo, a dívida consolidada do Estado era de R$ 113,36 bilhões, e agora, estima-se que essa cifra esteja entre R$ 160 bilhões e R$ 180 bilhões ao final de seu mandato. A tentativa de atribuir essas dívidas à”herança” recebida pode ser uma estratégia arriscada, já que essa é uma narrativa utilizada por muitos de seus antecessores. A questão que fica é: essa abordagem colará?
O dilema da imagem pública
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Os números desafiadores não combinam com a formação de Zema como administrador e também com seu programa liberal, que é conduzido por Carlos Costa, ex-integrante da equipe de Paulo Guedes. O plano de Zema promete “zerar o custo Brasil” e privatizar diversos setores, similar à abordagem de Javier Milei na Argentina. Essa proposta, no entanto, encontra resistência em um momento em que a popularidade do governador se baseia em aumentos salariais para servidores públicos, um eleitorado significativo que pode pesar na balança durante a eleição.
Por outro lado, Zema também tem se mostrado favorável a isenções fiscais para empresas, uma medida que agrada sua base empresarial. As renúncias fiscais do Estado aumentaram de R$ 13 bilhões em 2021 para uma previsão de R$ 23 bilhões até 2026. Essa situação coloca Zema em uma posição delicada, pois criticar a crise fiscal do governo Lula pode soar como uma hipocrisia, considerando seu próprio contexto financeiro.
Minas Gerais e o Legado Político
Minas Gerais tem uma longa história de produção de políticos influentes, desde os tempos da República do Café com Leite, onde as trocas de poder entre paulistas e mineiros marcaram a política nacional até a era de Juscelino Kubitschek, que não só construiu Brasília, mas também deixou um legado de otimismo e desenvolvimento industrial. O Estado já teve sete presidentes, incluindo Dilma Rousseff, que enfrentou um impeachment, e Tancredo Neves, cuja morte impediu que ele assumisse o cargo.
Além disso, temos o caso de Itamar Franco, que apesar de inicialmente não ser visto como o ideal, se mostrou uma escolha acertada em um momento crucial. A tradição política mineira, marcada por habilidades políticas e estratégias astutas, pode influenciar a trajetória de Zema em sua busca pela presidência. Como essa herança histórica vai se refletir na candidatura dele? Somente o tempo dirá.
