Clima e Expectativas para a Copa do Mundo 2026
Poucos países celebraram tanto em 2022 quanto a Argentina. Sob o comando de Lionel Messi, a seleção dirigida por Lionel Scaloni conquistou a Copa do Mundo após 36 anos, em uma final histórica contra a França. Agora, com o Mundial de 2026 se aproximando, o elenco pouco mudou, mas a atmosfera entre os torcedores apresenta nuances diferentes. O ge foi buscar opiniões para entender o sentimento atual da torcida.
“Os argentinos, por natureza, já entram no clima da Copa quando o evento se aproxima. As expectativas são sempre altas. Certamente, os Estados Unidos receberão muitos argentinos torcendo para que a seleção alcance a final e, quem sabe, conquiste o quarto título. Por aqui, a empolgação é grande, muitos assinam pacotes de TV a cabo para acompanhar os jogos, e os cafés ficam lotados, como sempre”, explicou Adrian Santagada, jornalista de Lanús.
Contexto Diferente, Paixão Inalterada
A Argentina chega ao Mundial de 2026 com um cenário distinto do que tinha em 2022. Naquele momento, além do longo jejum sem o título, havia a sensação amarga deixada pela campanha em 2018, quando a seleção foi eliminada nas oitavas de final pela França, após um jogo emocionante que terminou em 4 a 3. O desempenho na Copa da Rússia foi decepcionante, com apenas uma vitória na fase de grupos, o que não acontecia desde 2002, quando o time sequer avançou.
Raphael Sibilla, correspondente da Globo na Argentina desde 2019, analisa: “O pessoal está confiante, mas a sensação é bem diferente da de 2022. Claro que todos querem a vitória, mas agora há uma cobrança menor e muita gratidão por esse grupo que conquistou o título. A animação existe, mas o peso nas costas diminuiu, tornando esta Copa mais leve, com menos obrigações”.
O título conquistado no Catar, especialmente após a emocionante decisão nos pênaltis contra a França, curou as feridas recentes. Messi marcou dois gols na final, Di María completou a vitória, enquanto Mbappé anotou três vezes para os franceses.
Torcida Ainda em Ritmo de Preparação
O desempenho recente tira um pouco da pressão para o próximo Mundial, e a seleção argentina chega mais leve. No entanto, segundo os entrevistados, a torcida ainda não está tão focada, mas isso deve mudar quando a competição começar de fato.
Matías Vegas, de Buenos Aires, comenta: “Não há a mesma atmosfera do último Mundial, talvez porque o torneio será em países onde o futebol não tem a mesma popularidade que na Argentina ou Brasil. Parece que a expectativa de vencer não é tão intensa, mas sempre existe aquela possibilidade do inesperado”.
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Agustina Valsangiacomo, também de Buenos Aires, acrescenta: “Existe um fenômeno particular: assim que a bola rola e o primeiro jogo acontece, as pessoas esquecem tudo e se concentram totalmente na Copa e no apoio ao time. Talvez agora o entusiasmo esteja diluído, mas quando começar, todos ficarão animados e confiantes de que o time pode repetir o título”.
Outro ponto em comum com a torcida brasileira é o apreço pela festa nas ruas. A tradição de pintar as “calles” se mantém viva, e os enfeites tomam conta dos espaços públicos. Um dos símbolos da Argentina, o Obelisco, no centro de Buenos Aires, é iluminado nas cores azul e branca nos dias de jogos, reforçando o clima de Copa.
O Último Mundial de Messi?
O Mundial de 2026 marca um momento especial para a Argentina principalmente por causa de Lionel Messi. Com 38 anos e prestes a completar 39 em junho, o craque pode disputar sua despedida da Copa do Mundo, que será realizada no Canadá, México e Estados Unidos.
Após a conquista em 2022, Messi declarou estar “satisfeito e agradecido” e indicou que provavelmente não jogaria outra edição. Em entrevista ao jornal chinês “Titan Sports” em 2023, afirmou: “Não creio que participarei da próxima Copa. Não sei o que o futuro reserva, mas minha opinião não mudou. Gostaria de assistir, mas não de jogar”.
Matías ressalta a importância do craque: “O simples fato dele estar nesta Copa já é um milagre, considerando a idade e o que representa para a seleção. Pouquíssimas pessoas esperavam, mas ele jogou bem e tudo se encaixou”.
A idolatria de Messi na Argentina é justificada pelos números impressionantes: 199 jogos pela seleção, 117 gols, uma medalha de ouro olímpica, duas Copas Américas, uma Finalíssima, uma Copa do Mundo principal e uma Copa sub-20. Ele foi o protagonista da conquista em 2022.
Vanessa Rodríguez, de Avellaneda, evidenciou o impacto do ídolo: “Os jogadores jogam por ele, querem vencer por ele. Desta vez, podem querer que Messi se aposente com a glória máxima. Ele já conquistou muito, mas ganhar duas Copas seguidas seria ainda mais especial. É um modelo e ídolo para todos”.
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Fonte: ctbanews.com.br
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Fonte: rjnoar.com.br
A ausência futura do craque já gera saudade, mas a confiança no time persiste mesmo sem Messi.
Superstições e a Busca pelo Quarto Título
Superstição é um elemento presente na relação dos argentinos com o futebol. Apesar da “pouca pressão”, a seleção não quer dar azar.
Vanessa relatou a popularização do termo “3+1”, que evita mencionar diretamente o número quatro, referindo-se à possível conquista do quarto título mundial. “Cada torneio traz novas superstições. Aos poucos, a expectativa cresce e todos esperam pelo 3+1. É uma forma de não falar o número para não dar azar”, explicou.
Como diz o ditado espanhol, “yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay” (Eu não acredito em bruxas, mas que existem, existem). Vanessa e Agustina preferem não arriscar em brincadeiras com a sorte.
Vanessa ainda comentou: “É como se os argentinos buscassem oportunidades para se reunir e cumprir superstições. Isso é tradicional quando a Copa começa”.
Próximos Jogos da Argentina na Copa do Mundo 2026
Confira a agenda da seleção argentina na fase de grupos da Copa do Mundo 2026:
- 1ª rodada: Argentina x Argélia, 16 de junho, às 22h, em Kansas City
- 2ª rodada: Argentina x Áustria, 22 de junho, às 14h, em Dallas
- 3ª rodada: Jordânia x Argentina, 27 de junho, às 23h, em Dallas
