Uma Ausência Surpreendente
No próximo dia 5 de maio, durante o 41º Congresso Mineiro de Municípios, promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM), o governador de Minas Gerais, Mateus simões (PSD), não participará do painel com os pré-candidatos ao governo estadual. A lista de convidados, divulgada nas redes sociais da AMM, causou estranheza nos bastidores, especialmente porque o governador está confirmado para a abertura do evento.
Entre os nomes que também não estão na programação do painel, destaca-se o senador Rodrigo Pacheco (PSB), que é considerado um forte concorrente ao Palácio Tiradentes. Embora Pacheco tenha recebido um convite formal da AMM, ele optou por não participar, alegando que não se posiciona como pré-candidato até o momento. O mesmo ocorreu com o senador Carlos Viana (PSD), que busca a reeleição, mas também não aparecerá no evento, conforme informado pela sua assessoria, que alegou conflito de agenda.
Quando questionada, a assessoria de Simões não forneceu uma resposta direta sobre a recepção do convite, mas confirmou a presença do governador na abertura do congresso. A nota emitida pela assessoria informou que, após o congresso, Simões seguirá para Paracatu, que será a capital provisória do estado. O foco do governador, segundo a nota, é o programa ‘Governo Presente’, uma iniciativa que visa estreitar laços entre a administração pública e a população, com ações diretas nas comunidades e escuta ativa das demandas locais.
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A AMM, por sua vez, explicou que a participação no painel dependia de uma inscrição prévia por meio de edital divulgado no site da entidade, com prazo encerrado na última sexta-feira (24 de abril). A associação destacou que os partidos eram responsáveis por indicar seus candidatos, e o nome de Simões não foi formalmente apresentado nesse processo. Além disso, a AMM optou por não fazer convites diretos em virtude da incerteza sobre quais nomes efetivamente disputariam o governo estadual.
Rumores sobre Desentendimentos Políticos
Um possível motivo para a não participação de Simões pode estar ligado a desavenças políticas com a AMM, especialmente em relação ao ex-presidente da entidade, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). O atual presidente da AMM, Lucas Vieira Lopes (PSD), prefeito de Iguatama, tem um alinhamento político diferente, o que pode ter causado um desgaste nas relações.
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As tensões entre Simões e Falcão datarem do período em que o governador foi vice de Romeu Zema (Novo). Durante esse tempo, Falcão promovia uma pressão constante para que o governo estadual assumisse despesas municipais, enquanto Simões rebatia as cobranças do Palácio Tiradentes. As discussões sobre a privatização da Copasa também foram fonte de atrito entre eles. O clima azedou ainda mais em janeiro, quando a deputada estadual Lud Falcão (Podemos), esposa de Luís Falcão, acusou o governador de vincular o atendimento de demandas à uma retratação pública do marido pelas críticas à sua gestão. Isso levou Falcão a afirmar que Simões ultrapassava a esfera política, levando a disputa para o âmbito familiar.
Em março, em entrevista ao programa Café com Política, Simões mencionou que a relação entre o governo e a AMM estava desgastada devido à “postura eleitoral” de Falcão. Na mesma época, o ex-presidente da AMM já indicava sua saída, afirmando que contribuiria com o projeto do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) para o estado. Falcão e Cleitinho têm manifestado interesse em formar uma chapa para concorrer ao governo de Minas.
A reportagem tentou contato com Falcão, que, assim que retornar, a matéria será atualizada.
Dinâmica do Painel de Pré-Candidatos
O painel que ocorrerá no congresso contará com a presença de outros pré-candidatos, como Alexandre Kalil (PDT), Gabriel Azevedo (MDB) e Cleitinho Azevedo (Republicanos). Esses candidatos responderão a três perguntas baseadas em levantamento de demandas realizadas durante as ‘Caravanas da AMM’, que percorreram diversas regiões de Minas Gerais.
No dia seguinte à sabatina dos postulantes ao governo, um novo painel será realizado com os candidatos ao Senado Federal, incluindo Marília Campos (PT), Domingos Sávio (PL), Marcelo Aro (PP) e Áurea Carolina (PSOL).
