Planejando os Palanques Eleitorais
Uma reunião crucial da cúpula do PL, ocorrida na última terça-feira (24), traz à tona os planos do partido para as próximas eleições. O evento, que contou com a presença do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), revelou anotações que expõem a visão interna do partido sobre possíveis candidatos e alianças eleitorais, muitas das quais permanecem desconhecidas pelo público.
O documento, intitulado “situação nos estados”, foi acessado pela Folha e contém uma lista de potenciais concorrentes, além de diversas anotações manuscritas. Apesar da dificuldade em identificar o autor das observações, sabe-se que a cúpula do PL, incluindo Flávio, estava presente durante a discussão.
Além de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, também participaram das reuniões. Uma das primeiras anotações destaca “ligar Tarcísio”, referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que irá buscar a reeleição.
As anotações sobre São Paulo levantam a questão de quem será o novo vice de Tarcísio. O atual vice, Felício Ramuth (PSD), que é um nome preferido do governador, aparece vinculado a um símbolo de dólar, sugerindo incertezas financeiras. Ramuth enfrenta uma investigação por suposta lavagem de dinheiro, embora ele negue qualquer irregularidade.
Desafios e Oportunidades em Minas Gerais
Uma questão que gerou discussões acaloradas é a possível candidatura do presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), para a vaga de vice. O cenário em Minas Gerais parece desafiador para o PL, especialmente em relação ao vice-governador Mateus Simões (Novo), cuja candidatura foi descrita como “me puxa para baixo” em uma anotação.
O rascunho menciona ainda outros possíveis candidatos ao governo, incluindo Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, conforme a legenda não possui um candidato definido para Minas. Embora Nikolas Ferreira tenha sido cogitado para o cargo, ele expressou desinteresse em concorrer ao Executivo.
Além disso, foram listados nomes para a disputa ao Senado em Minas, destacando Carlos Viana (Podemos-MG) e Domingos Sávio (PL-MG), ambos com indicações de apoio. Entretanto, conteúdo do documento sugere que a cúpula do PL está ciente das dificuldades em atrair votos.
Estratégias em Outros Estados
Em Alagoas, a estratégia é focar no prefeito de Maceió, JHC (PL), e no deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil), com anotações indicando a urgência de um diálogo com JHC até meados de março. A reunião também considerou o apoio a Arthur Lira (PP-AL) ao Senado, reforçando a conexão com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O impasse no Distrito Federal é outro ponto crítico, onde a chapa pré-definida estava sendo formada pela vice-governadora Celina Leão (PP). Contudo, uma observação no rascunho levanta preocupações sobre a viabilidade de duas candidatas do PL figurando na mesma chapa, especialmente se Ibaneis Rocha (MDB) decidir se candidatar ao Senado.
O cenário em outros estados, como Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, também apresenta candidatos definidos e estratégias em discussão. No Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) é mencionado como apoiado pelo PL, enquanto no Rio Grande do Sul, o foco se dá em Zucco (PL) para o governo, juntamente com candidatos ao Senado.
Essas anotações são um retrato vívido da mobilização e planejamento do PL em um momento crítico, onde as alianças e estratégias serão fundamentais para o sucesso nas urnas. O partido, que se encontra em uma fase de redefinição, precisa alinhar suas candidaturas para assegurar a competitividade nas eleições que se aproximam.
