Como a IA Pode Transformar a Economia
O mercado financeiro está cada vez mais atento a um fenômeno que vai além da possibilidade de uma bolha criada pela inteligência artificial. O gasto dos consumidores, que representa entre 60% e 70% do PIB dos países da OCDE, é um pilar fundamental das economias modernas. Essa realidade se torna ainda mais complexa quando consideramos que, para as grandes empresas de tecnologia, a receita gerada pela venda de serviços é crucial.
Recentemente, a consultoria Citrini Research trouxe à tona uma preocupação significativa: a IA pode estar se tornando uma armadilha disfarçada, em que o otimismo dos investidores pode ser a raiz do pessimismo econômico futuro. O relatório da Citrini não faz previsões concretas, mas sim delineia um cenário hipotético para junho de 2028, denominado “Crise Global da Inteligência”. Nele, a IA evolui a ponto de tornar muitos empregos obsoletos, eliminando o poder de consumo dos trabalhadores e, consequentemente, afetando a economia real.
A Emergence do PIB Fantasma
O conceito de “PIB fantasma” surge quando há produção contabilizada, mas que não circula na economia efetivamente. Isso ocorre quando os trabalhadores não recebem a riqueza que geram, tornando-se consumidores e, assim, participando do ciclo econômico. Em uma entrevista ao CNN Money, o professor Pedro Burgos, do Insper, alertou que um bull market no setor de IA pode, paradoxalmente, resultar em um bear market para a economia em geral.
Burgos comentou: “O quebra-cabeça é o seguinte: se você apostar tudo que a IA vai avançar, isso parece positivo para empresas como Nvidia, OpenAI e Anthropic a curto prazo. Contudo, se as previsões se concretizarem e a IA começar a substituir empregos, o impacto no consumo será inevitável”.
Impactos Visíveis no Mercado
A startup Anthropic, formada por ex-colaboradores da OpenAI e responsável pelo chatbot Claude, está se consolidando como referência em IA generativa. Recentemente, a empresa lançou dois modelos de chatbot: o Claude Sonnet 4.5, voltado ao público geral, e o Claude Opus 4.6, projetado para aumentar a eficiência em tarefas corporativas. Esse avanço levanta preocupações sobre a possibilidade de que essas ferramentas substituam softwares especializados, o que poderia desestabilizar setores inteiros da economia.
Rafael Furlanetti, apresentador do Hot Market da CNN Brasil, observou que, após o anúncio do Claude, ações de empresas de consultoria e software caíram drasticamente, refletindo o temor sobre o impacto da IA. Furlanetti questionou: “Se eu posso programar meus próprios sistemas de controle interno com IA, qual será o valor das empresas de software no futuro? Ninguém tem certeza”.
Conferências e Perspectivas Futuras
Na recente Cúpula de Impacto da IA, realizada na Índia, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, destacou que a inteligência artificial superará as capacidades humanas na maioria das tarefas em um futuro próximo. Essa declaração gerou ainda mais apreensão no mercado financeiro, especialmente após a publicação do relatório da Citrini no dia 22, que ajudou a catalisar as perdas em Wall Street no dia seguinte.
O economista Alap Shah, co-autor do relatório, enfatizou uma premissa fundamental do sistema econômico atual: “A inteligência humana é um recurso escasso e valioso”. No entanto, ele questiona: “O que acontecerá em 2026, quando a inteligência artificial se tornar mais madura?” A resposta a essa pergunta pode determinar o futuro do PIB e das economias globais.
