Movimentos Estratégicos no Cenário Político
BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), decidiu atender ao apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se lançará como candidato ao governo de São Paulo. Inicialmente resistente à ideia de disputar as eleições deste ano, Haddad comunicou a aliados que não poderia recusar o convite feito por Lula, reforçando sua lealdade ao líder petista.
A ascensão do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, como forte concorrente nas pesquisas de intenção de voto, pegou o Palácio do Planalto de surpresa. A avaliação interna do governo sugere que a falta de uma estratégia mais agressiva contra Flávio, que enfrenta acusações no âmbito do escândalo da “rachadinha”, pode ter sido um erro que precisa ser corrigido rapidamente.
Além disso, a liderança do PT está ciente de que a reeleição do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, enfrenta desafios significativos, especialmente após desavenças públicas entre ele e Gilberto Kassab, secretário de Governo. Assim, o momento se mostra oportuno para Haddad iniciar suas articulações políticas, ainda que de maneira bastante discreta.
Embora não tenha oficializado sua candidatura, Haddad deve se retirar do cargo no final deste mês ou no início de abril para focar na disputa pelo Bandeirantes. Dos 38 ministros, cerca de 20 deverão se desincompatibilizar até seis meses antes das eleições, marcadas para outubro.
Atualmente, Haddad é visto como o provável sucessor de Lula no PT a partir de 2030, e sua entrada na disputa eleitoral sinaliza esse caminho.
Movimentações e Possibilidades nas Eleições de Minas Gerais
Outra movimentação importante envolve a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que deve deixar a Rede e filiar-se ao PT com a meta de concorrer ao Senado. A definição sobre a segunda vaga ainda está em aberto.
Uma possibilidade em discussão é que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, do MDB de Mato Grosso do Sul, assuma a candidatura ao Senado por São Paulo. Contudo, para isso, ela precisaria se desfiliar do MDB, que apoia a candidatura de Tarcísio, e transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo. Embora tenha recebido convite para migrar para o PSB, Tebet ainda não tomou uma decisão final.
Durante uma recente viagem à Índia, Lula teve várias conversas reservadas com Haddad, enfatizando a necessidade de um palanque forte em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil. Apesar de ter perdido para Tarcísio nas eleições de 2022, Haddad é creditado por muitos no PT como responsável por garantir os votos que ajudaram Lula a derrotar Jair Bolsonaro naquele ano.
Na semana passada, dirigentes do PT se reuniram em São Paulo e decidiram que Haddad precisava dar uma resposta até o dia 10 de março. Entretanto, a expectativa nos bastidores já era de que sua candidatura em São Paulo se tornaria uma realidade.
Lula também manifestou sua expectativa de contar com o senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado, para a candidatura ao governo de Minas Gerais. O ex-presidente acredita que a situação está bem encaminhada para Pacheco.
Pacheco, que gostaria de ser indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), viu suas expectativas frustradas quando Lula optou por Jorge Messias, atualmente na Advocacia-Geral da União, para a função. A sabatina de Messias no Senado ainda não foi agendada, o que tem criado incertezas, especialmente entre os aliados de Lula, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá.
Há um entendimento de que Lula está buscando um acordo com Alcolumbre, que permitiria a Pacheco concorrer em Minas por um partido diferente, possivelmente o União Brasil. Em troca, o presidente do Senado teria liberdade para fazer novas indicações no governo federal.
Apesar das negociações, Alcolumbre nega que haja qualquer troca de favores. O Centrão, por sua vez, reivindica o comando do Banco do Nordeste, além de cargos estratégicos no Cade e na Caixa Econômica Federal, o que adiciona uma camada extra de complexidade às articulações políticas em andamento.
