Oficina busca soluções inovadoras para aprimorar a comunicação digital no Judiciário
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG), promoveu uma oficina focada em melhorar a acessibilidade na comunicação digital das instituições. A atividade, realizada nos dias 25 e 26 de fevereiro no UaiLab – Unidade Avançada de Inovação em Laboratório – e no ColAbore – Laboratório de Inovação, faz parte do Programa Alcance, que visa construir estratégias para tornar documentos digitais mais inclusivos e acessíveis ao público.
Durante os dois dias de atividade, os servidores do Judiciário se reuniram para refletir sobre as práticas institucionais na produção de conteúdos digitais que são utilizados na rotina administrativa e jurisdicional. A intenção foi identificar as barreiras que dificultam o acesso pleno à informação e encontrar propostas que tornem o trabalho interno mais eficiente e ampliem o alcance dos serviços oferecidos à sociedade.
Um dos pontos levantados pelos participantes foi a discrepância entre os esforços feitos em direção a uma linguagem simples e a falta de atenção aos recursos técnicos de acessibilidade. Priscila Souza, gerente do UaiLab, enfatizou a importância de abordar essa questão. “É necessário corrigir essa lacuna, pois estamos excluindo uma parte da nossa comunidade”, destacou.
Metodologia de Inovação e Design Thinking
A oficina utilizou a metodologia de Design Thinking, que prioriza a experiência do usuário e incentiva o trabalho colaborativo e criativo para solucionar problemas complexos. Essa abordagem, estruturada em etapas sequenciais, se mostrou eficaz para entender profundamente os desafios e desenvolver soluções viáveis, especialmente quando os problemas não são claramente definidos.
Nos dois dias de interações, os participantes do evento mapearam as dificuldades enfrentadas por colegas com deficiências, compartilhando experiências e formulando propostas para a criação de documentos digitais mais acessíveis. Samuel Ferreira, laboratorista do ColAbore, ressaltou que o projeto surgiu da percepção de que muitos colegas com deficiência se deparam com obstáculos na acessibilidade digital. “Uma pesquisa realizada pelo Laboratório revelou os desafios diários enfrentados e nos ofereceu direções a seguir para superá-los”, comentou.
Resultados e Propostas para o Futuro
Os resultados da oficina indicaram a necessidade de uma campanha informativa que envolva magistrados e servidores na promoção da acessibilidade. Uma das propostas sugeridas foi a criação de uma cartilha educativa, que será disponibilizada em formato digital e impresso. Este material deve detalhar o processo de formatação de documentos acessíveis e fornecer dicas que garantam a acessibilidade nas comunicações institucionais. Além disso, foi apontada a importância de capacitar multiplicadores da cultura inclusiva dentro das instituições por meio de cursos de formação.
Francisco Soares, gestor da Seção de Acessibilidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência do TRT-MG, comentou sobre a relevância de iniciativas como essa para dar maior visibilidade ao tema no âmbito Judiciário. “Desejamos um ambiente digital mais acessível, pois o que queremos é atuar em igualdade com todos os colegas, sem enfrentar tantas dificuldades para realizar nossas funções”, concluiu.
A colaboração entre os laboratórios de inovação sublinha o compromisso das instituições com uma transformação digital responsável e inclusiva. As expectativas são altas de que as soluções desenvolvidas durante essa oficina contribuam para fortalecer a cultura de acessibilidade no Judiciário mineiro, assegurando maior equidade no acesso à informação e melhorando as rotinas de trabalho de magistrados e servidores.
