Avanços e Desafios no Acordo com o Mercosul
A União Europeia anunciou a aplicação provisória do acordo com o Mercosul, decisão que surge após a Argentina e o Uruguai finalizarem a ratificação do tratado na quinta-feira, 26. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comentou que “a Comissão dará agora seguimento à aplicação provisória”, ressaltando que a efetivação completa do acordo depende da aprovação do Parlamento Europeu.
O Uruguai foi o pioneiro entre os países do Mercosul a ratificar o acordo, processo que passou pela aprovação tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado. A Argentina seguiu logo depois, obtendo a aprovação necessária no Senado. No Brasil, a Câmara já deu o aval, e agora o tratado aguarda análise no Senado. O Paraguai também está em fase de tramitação, prevendo que a conclusão ocorra em breve.
Conforme informações da Comissão Europeia, a implementação do acordo pode resultar na eliminação de tarifas de cerca de 4 bilhões de euros sobre as exportações da União Europeia para o Mercosul. Esse aspecto é particularmente defendido por países como a Alemanha e a Espanha, que veem o tratado como uma ferramenta vital para compensar perdas devido às tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir a dependência do bloco em relação à China para a importação de minerais estratégicos.
No entanto, essa iniciativa não é unânime. A França, que lidera as críticas, expressa preocupações significativas sobre o impacto do acordo, especialmente no setor agrícola. Agricultores franceses temem que a abertura de mercado possa resultar em um aumento das importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, o que poderia afetar a competitividade dos produtos locais. Assim, protestos de agricultores têm se intensificado, refletindo a resistência ao tratado.
A aprovação do acordo aconteceu em meio a uma margem estreita e sob forte pressão dos produtores rurais, aliados a um forte posicionamento da França. A introdução do tratado à Corte pode atrasar sua implementação por vários meses, criando um impasse. Em resposta, a Comissão Europeia criticou a resistência e reiterou a necessidade de avançar com a aplicação provisória, enfatizando a importância de garantir acesso a novos mercados.
Enquanto o tribunal analisa o acordo — um processo que pode se estender por meses ou até anos — a situação política em torno do tratado permanece travada. Apesar do apoio de alguns países, como a Alemanha, e do interesse do Brasil em acelerar a ratificação, o futuro do acordo ainda é incerto.
