Gestão Eficiente na Saúde é Crucial
O ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, destacou que simplesmente aumentar os recursos destinados à saúde não é suficiente para atender às crescentes demandas da população. Em uma entrevista exclusiva ao jornal O TEMPO, o ministro enfatizou a necessidade de melhorar a gestão dos investimentos na área como um passo fundamental para garantir a eficácia das ações de saúde pública.
Massuda reconheceu que o governo federal tem realizado esforços para aumentar os repasses, mas alertou que os municípios ainda enfrentam desafios financeiros significativos na estruturação do Sistema Único de Saúde (SUS). “Desde a transição, foram implementadas medidas, como a emenda constitucional, para assegurar esses recursos. Estabelecemos um percentual de 15% das receitas correntes líquidas, o que possibilitou uma ampliação de 77% no orçamento para ações de saúde entre 2022 e 2026. Isso também garante a continuidade de programas vitais que estavam prestes a ser descontinuados, como o SAMU e o Farmácia Popular”, explicou.
Recentemente, uma pesquisa realizada pela DATATEMPO revelou que 83% dos gestores municipais em Minas Gerais consideram que a falta de recursos é um obstáculo para a realização de investimentos eficazes na saúde. Em face desse cenário, Massuda reafirmou que Minas Gerais recebeu um aporte adicional de R$ 2,3 bilhões destinados a procedimentos de média e alta complexidade, mas reforçou que a eficácia desse investimento está diretamente ligada à qualidade da administração desses recursos.
“Reconhecemos que a falta de recursos é um desafio, mas a ampliação dos verbas precisa ser acompanhada de uma gestão aprimorada, que é o que estamos promovendo”, afirmou o ministro, destacando a necessidade de uma abordagem holística que considere tanto o aumento de verbas quanto a eficiência na sua utilização.
Desafios no Atendimento de Média Complexidade
A entrevista também abordou as deficiências na oferta de serviços de média complexidade, que incluem consultas e exames especializados. Massuda observou que, embora o país tenha avançado na atenção básica e em procedimentos de alta complexidade, ainda existem lacunas significativas na organização do atendimento intermediário.
“O Brasil fez progressos na saúde básica e nos procedimentos mais complexos, como transplantes, mas a estruturação do atendimento público na média complexidade ainda não atende plenamente às necessidades da população”, revelou. Essa situação demanda uma resposta estratégica por parte do governo federal, que lançou o programa “Agora Tem Especialistas”, com o objetivo de combinar a ampliação de recursos com um planejamento eficaz da oferta de serviços.
“O programa Agora Tem Especialistas visa não só aumentar os recursos, mas também garantir que haja um planejamento adequado. Não basta oferecer uma consulta ou um exame; é fundamental criar condições para um tratamento especializado efetivo”, destacou Massuda.
Visita a Minas Gerais e Novas Iniciativas
Durante uma visita a Minas Gerais, realizada recentemente, o ministro participou de diversas atividades relacionadas ao programa, incluindo a criação de uma policlínica em Divinópolis e a reforma de uma maternidade em Nova Serrana, no Oeste do estado. Essas iniciativas são parte da estratégia do governo para aprimorar a infraestrutura de saúde e garantir que os serviços oferecidos atendam de maneira eficiente à população.
Com as mudanças em andamento e o investimento em gestão, o ministro Adriano Massuda espera que o setor de saúde no Brasil possa não apenas lidar com os desafios atuais, mas também se preparar melhor para as demandas futuras, promovendo um sistema de saúde mais eficaz e acessível para todos os cidadãos.
