A Influência de Alcolumbre no Cenário Político Atual
Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, não se destaca por uma defesa ideológica clara, seja para a direita ou a esquerda. Sua atuação na presidência do Senado e do Congresso é marcada por uma abordagem pragmática, focada nas relações interpessoais e na articulação política. Seu estilo se baseia em acordos, nomeações, controle de verbas e na ocupação de espaços estratégicos no governo, tanto de forma transparente quanto não.
Recentemente, Alcolumbre demonstrou seu poder ao infligir duas derrotas significativas ao presidente Lula: a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto sobre a dosimetria das penas dos condenados pela tentativa de golpe. Esses episódios marcam um ponto alto na trajetória política de Alcolumbre, que viu sua ascensão ao longo dos anos.
Em fevereiro de 2019, ele surpreendeu o cenário político ao vencer a eleição para a presidência do Senado em uma disputa acirrada contra Renan Calheiros, que buscava o cargo pela quinta vez. Na época, Alcolumbre, um senador em seu primeiro mandato e filiado ao DEM, contava com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, que havia recém-assumido o cargo.
Essa vitória simbolizou o fim da dominância do MDB no Senado, que perdurava desde o início da nova República, após a ditadura. A única exceção anterior foi a eleição de Antônio Carlos Magalhães, do PFL, no final da década de 1990.
Leia também: Conflito entre Gilmar Mendes e Romeu Zema: Debate acirrado na política brasileira
Leia também: Delação Premiada de Daniel Vorcaro: Impactos na Política Brasileira
O Domínio do Centrão e o Orçamento Secreto
A chegada de Alcolumbre à presidência do Senado sinalizou o início de uma nova era, caracterizada pelo fortalecimento do Centrão e a ampliação dos poderes do Congresso, especialmente no que diz respeito às emendas parlamentares. Diante das dificuldades de Bolsonaro em formar uma base de apoio sólida, o presidente acabou cedendo o controle do orçamento ao Congresso, o que se intensificou ainda mais com a eleição de Arthur Lira para a presidência da Câmara em fevereiro de 2021.
A parceria entre Alcolumbre e Lira passou a ser fundamental na articulação política, e sob sua liderança, surgiu o polêmico chamado ‘orçamento secreto’, que visa a aplicação de recursos sem a devida transparência sobre seus autores e destinos. Após dois mandatos à frente do Senado, Alcolumbre consolidou sua influência ao eleger Rodrigo Pacheco, então do PSD, como seu sucessor, em 2021. Com o retorno à presidência em fevereiro de 2025, ele contou com o apoio do plenário e do presidente Lula.
Desde o início do governo Lula, a relação entre os dois se manteve estável, com Alcolumbre contribuindo na nomeação de ministros e diretores em agências. Sua liderança foi crucial na aprovação de propostas econômicas relevantes, como a reforma tributária.
Leia também: Moreira Franco Lança Livro Revelando Bastidores da Política Brasileira
Leia também: As Dores da Política Brasileira: Reflexões a Partir de Verdi
Conflitos e Relações Deterioradas
No entanto, a relação começou a se deteriorar após a indicação de Messias para o STF em novembro do ano anterior. Alcolumbre, que desejava Pacheco para a vaga, não aceitou a escolha de Lula. A disputa pela presença de um aliado no Supremo coincidiu com investigações sobre desvios de verbas do orçamento secreto e o envolvimento de parlamentares do Centrão em escândalos, como o do banco Master.
Lula sustentou que a prerrogativa de indicar ministros do STF é sua, mas Alcolumbre não aceitou essa negativa. Embora tenha prometido não interferir na votação de Messias, acabou liderando um movimento inédito: foi a primeira vez desde o século XIX que um nome para o STF foi rejeitado.
Trajetória Pessoal e Política de Davi Alcolumbre
Davi Alcolumbre nasceu em Macapá, em 19 de junho de 1977. Embora tenha iniciado um curso de economia, não concluiu a graduação e atuou como comerciante. Ele vem de uma família judia que imigrou do Marrocos para o Amapá no final do século XIX, acumulando um considerável patrimônio no comércio e na mineração.
Inicialmente, sua família tinha laços com o ex-presidente José Sarney, quem Alcolumbre acompanhou em sua trajetória política até romper essa aliança. O atual presidente do Senado ingressou na política em 2000 como candidato a vereador pelo PDT e logo ascendeu a deputado federal, sendo reeleito duas vezes.
A rivalidade com Sarney se intensificou em 2014, quando Alcolumbre se lançou ao Senado, levando Sarney a desistir da disputa e apoiar outro candidato. Ao chegar ao Senado, sua personalidade extrovertida e carismática conquistou apoio e aliados, solidificando sua posição como uma figura de destaque na política nacional.
