Uma Experiência Sensível que Reitera a Importância do Olhar Infantil na Arte
A exposição ‘Cidadela’, da artista Maria Ezou, será inaugurada no dia 23 de maio na CAIXA Cultural Brasília. Com uma proposta de imersão voltada para o público infantil, a mostra já percorreu seis estados brasileiros (Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e o Distrito Federal) e tem como objetivo proporcionar uma vivência única aos pequenos, explorando suas percepções e subjetividades.
Maria Ezou, ao longo de sua carreira, tem trabalhado com uma narrativa que se conecta profundamente com o universo da infância. As obras da exposição ritualizam o cotidiano, convocando o corpo da criança para o momento presente. Segundo a artista, “o público adentra um universo analógico, de delicadeza, encantamento e tempo expandido”, onde elementos sensoriais despertam a curiosidade dos pequenos. Aos adultos, a proposta é que vivenciem a obra sob a perspectiva infantil, redescobrindo a maravilha e a curiosidade com olhos de criança.
A instalação interativa materializa uma cidade imaginária e biocêntrica, uma verdadeira fortaleza de sonhos em que humanos, suas casas e a natureza coexistem em harmonia. Ao entrar na exposição, o visitante é recebido por um portal que remete a raízes aéreas e à silhueta de uma montanha, recebendo o nome de ‘estufa’. Essa estrutura abriga pequenos vasos biodegradáveis com matéria orgânica, sementes e mudas de plantas do Cerrado, bioma que envolve Brasília. Nesse espaço, os visitantes podem interagir com a obra, seja plantando mudas que contribuirão para a restauração ambiental ou criando autorretratos que se juntarão à galeria de novos habitantes da Cidadela.
Dentro dessa cidade encantada, 15 ‘casas-corpos’ se revelam. Essas esculturas, que são moldes do tronco da própria artista, possuem pequenas janelas e portas que dão acesso a diferentes mundos imaginários. Cada ‘casa-corpo’ oferece uma dramaturgia própria que toca em aspectos variados da infância, interligando emoções e rotinas diárias. A experiência é enriquecida por autômatos mecânicos, luzes interativas e trilhas sonoras que evocam sons da natureza, como o fluxo das águas, o vento, o pisar na terra e o crepitar do fogo. Para garantir a acessibilidade, cada ‘casa-corpo’ também conta com audiodescrição.
A proposta de Ezou é entrelaçar diversas formas de arte, incluindo artes têxteis, teatro de animação, arte eletrônica e literatura, criando um rico mosaico de experiências sensoriais. A artista utiliza técnicas como marcenaria e colagem, incorporando saberes de biologia, arquitetura e agroecologia em suas criações. Essa abordagem permite que a narrativa maior se desenvolva, tecendo o mundo sonhado da Cidadela.
A exposição reafirma o corpo como espaço de autonomia e alteridade. Cada visitante pode escolher sua própria trilha de visitação, explorando, assim, as particularidades de cada ‘casa’. Entre os temas abordados estão Gestar; Infância; Memória; Amor; Raiva; Empatia; Espera; Afeto; Alegria; Proteção; Desafio; Preguiça; Liberdade; Medo e Tristeza. Com essa proposta, Maria Ezou se torna uma cartógrafa dos afetos, mapeando os sentimentos e experiências das infâncias, e convidando todos a um caminhar coletivo.
As obras de Ezou, que hoje se destacam no campo das artes visuais, performance e instalação, têm suas raízes nas artes cênicas, onde a colaboração sempre esteve presente. Em ‘Cidadela’, essa dinâmica se mantém, com a colaboração de 17 artistas e mestres de diversas áreas. Entre os convidados estão nomes como André Mehmari, Heloisa Pires Lima e Mônica Cardim, que contribuíram com suas especialidades no processo de criação.
Além da exposição, o projeto ‘Cidadela’ oferece uma programação complementar voltada para o público infantojuvenil e para a conscientização ambiental. A abertura contará com uma visita mediada pela artista e uma oficina de plantio de sementes, onde os participantes poderão colaborar na criação da exposição. Ao longo do evento, também serão realizadas mesas de debate sobre arte e infância, assim como oficinas que promovem o manuseio das mudas plantadas, destinadas a projetos de reflorestamento.
Maria Ezou, artista visual premiada e educadora, é uma voz ativa no movimento das artes visuais voltadas para a infância. Com formação em Educação Artística, suas obras são inspiradas em experiências de liberdade e contato com a natureza da sua infância, bem como nas cosmogonias de culturas latino-americanas. A Cidadela é um exemplo de seu compromisso em respeitar e explorar a complexidade das vivências infantis, propondo um diálogo profundo entre arte, meio ambiente e educação.
Com acesso gratuito e classificação livre, a exposição ‘Cidadela’ estará aberta ao público até 23 de agosto de 2026, na CAIXA Cultural Brasília. As atividades planejadas, como as visitas mediadas e oficinas, são oportunidades valiosas para que o público se aprofunde na experiência sensorial proposta por Maria Ezou.
