Cidade Mineira Sem Crimes Violentos Há Décadas
São João da Mata, localizada em Minas Gerais, viu seu histórico de 38 anos sem homicídios ser abruptamente interrompido por um caso de feminicídio. Segundo informações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o último crime contra a vida registrado na cidade ocorreu em 1988, quando um inquérito foi instaurado em 5 de abril daquele ano.
A vítima da recente tragédia foi Lourdes Rodrigues. O principal suspeito, Francisco Bento de Paiva, que era seu companheiro, foi julgado em 1992. O casal era conhecido por toda a pequena comunidade, que conta com cerca de 3 mil habitantes.
O crime gerou grande comoção entre os moradores. Porém, muitos deles desconhecem o ocorrido, uma vez que, quando o homicídio aconteceu, aproximadamente 40% da população atual não havia nascido. Pierre Cauê de Morais, um técnico em tecnologia da informação que nasceu em 2003, afirma: “Aqui, todo mundo se conhece, e nunca ouvi falar sobre esse assunto. A tranquilidade é a norma, e as pessoas costumam deixar suas casas e carros destrancados”.
O Contexto Legal do Homicídio
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Notavelmente, quando o último homicídio foi registrado em São João da Mata, o conceito de feminicídio ainda não existia. O Código Penal em vigor era o de 1940, que apenas contemplava o homicídio sem classificações específicas. A Lei de Crimes Hediondos, que introduziu o homicídio qualificado, foi criada somente em 1990. O feminicídio, como um tipo penal específico, foi estabelecido em 2015, aumentando as penas para esses crimes.
A cidade de São João da Mata, fundada em 1962, tem se mantido por mais de metade da sua história sem um crime contra a vida e possui índices bastante baixos de delitos contra o patrimônio. Na última década, foram contabilizados 396 casos, com 190 furtos e 206 roubos, o que reforça sua reputação de segurança.
Fatores que Contribuem para a Segurança Local
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O sociólogo Isaías Paschoal aponta que o perfil da comunidade, onde todos se conhecem, desempenha um papel fundamental na manutenção da segurança. “Em cidades pequenas, a interação social é intensa. As pessoas se reúnem nas praças, vizinhanças, bares e igrejas, o que cria uma coesão social maior. Quando há esse tipo de convivência, a tendência é que a criminalidade diminua”, explica.
Apesar do choque causado pelo recente feminicídio, a história de São João da Mata mostra um quadro geral de tranquilidade e segurança. Contudo, o evento reforça a importância da conscientização sobre a violência de gênero e a necessidade de políticas públicas que promovam a proteção das mulheres. A cidade, até então símbolo de paz, agora precisa lidar com a realidade complexa que envolve a violência doméstica e suas consequências.
