Perfin em Ascensão na Copasa
A privatização da Copasa, a estatal mineira dedicada ao saneamento, visa atrair um sócio estratégico, uma figura que atuará como acionista âncora na tomada de decisões, após a saída do governo estadual da gestão. Este novo investidor, que terá uma participação de 30% na companhia, será visto como o principal agente privado dentro do negócio.
Entretanto, independentemente de quem assuma essa posição, o novo acionista encontrará um concorrente de peso já presente na Copasa: a Perfin, gestora de investimentos que se tornou acionista da empresa há cerca de oito anos e que, nos últimos meses, intensificou sua participação na companhia.
Em agosto de 2025, a Perfin possuía 5% das ações da Copasa. Três meses depois, em dezembro, esse percentual saltou para 12%, momento em que indicou um representante para o conselho de administração da estatal. A mais recente aquisição de ações ocorreu no início de abril, elevando sua participação para 15,25% do capital social.
A Experiência da Perfin no Setor de Saneamento
O histórico da Perfin no setor de saneamento e infraestrutura é notável. Em 2022, a gestora foi uma das vencedoras da privatização da Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento), em consórcio com a Aegea. Além disso, conquistou uma concessão da Sanepar no Paraná. No final de 2025, a Perfin fez um investimento significativo de R$ 2 bilhões na Cosan.
Leia também: Copasa Intensifica Diálogo com Prefeituras de Minas Gerais: Rumo à Privatização
Leia também: Copasa: Novas Garantias para Investidores na Privatização a partir da Próxima Semana
No setor rodoviário, a Perfin também se destaca por meio da plataforma EPR, uma parceria com a Equipav, que é acionista majoritário da Aegea. Essa relação com a Aegea, aliás, tem sido central para a estratégia da Perfin nos últimos anos.
Após vencer o leilão da Corsan, ambas as empresas firmaram um acordo que limitava a participação da Perfin na Copasa a 10%, individualmente. Esse compromisso terminou em 2024, permitindo que a gestora acelerasse a compra de ações e construísse uma posição de referência na estatal mineira.
Estratégia de Crescimento da Perfin
Apesar da proximidade com a Aegea, fontes a par do assunto informaram que a Perfin não deverá formar uma aliança com a empresa para competir pelo posto de investidor de referência da Copasa. A estratégia da gestora será aumentar sua participação na companhia por meio da aquisição de ações que serão disponibilizadas ao mercado, com o objetivo de alcançar próximo de 20% das ações, conforme relatos de pessoas familiarizadas com os planos.
Após a privatização, a Perfin planeja se estabelecer como um “fiel da balança” na governança da Copasa, atuando como um acionista capaz de se alinhar tanto ao investidor de referência quanto aos acionistas minoritários. O intuito é influenciar a indicação de conselheiros e membros da diretoria, participando ativamente das decisões. Especialistas acreditam que a gestora vê a Copasa como uma plataforma de investimentos com potencial para participar de futuros leilões no Brasil.
Leia também: Copasa registra crescimento de 24% no lucro do 4º trimestre de 2024
Leia também: Copasa Prepara Operação Especial para Abastecimento de Água no Carnaval 2026
Papel da Perfin na Governança da Copasa
Com uma participação superior a 20% e a disposição para ser proativa, acredita-se que a Perfin conseguirá fazer-se ouvir pelo novo investidor de referência da Copasa. O acordo de acionistas recentemente divulgado pelo Governo de Minas Gerais detalha a relação entre o estado e o novo sócio, conferindo ao investidor de referência um papel central na condução da companhia.
O novo conselho de administração será composto por nove membros, sendo um deles indicado pelo governo estadual. Segundo análises, é esperado que o investidor de referência seja o responsável por montar a chapa e indicar a maioria dos conselheiros, o que lhe dará maior autonomia na gestão da Copasa.
Bernardo Viero, analista da Suno, aponta que, embora a Perfin tenha uma participação significativa, as diretrizes da privatização estabelecem que o investidor de referência terá um papel decisivo na gestão. “A tendência é que a Perfin atue como uma espécie de supervisora da gestão, enquanto o investidor de referência define a estratégia operacional”, explica Viero.
Com uma fatia relevante, Viero acredita que a Perfin terá voz nas assembleias, podendo garantir, via voto múltiplo, até duas cadeiras no conselho. “Se eu tivesse que resumir a hierarquia de poder na companhia, diria que o investidor de referência será o protagonista da gestão, enquanto a Perfin, com 15%, representará a principal voz dos acionistas minoritários, com peso decisivo nas assembleias”, conclui.
Diante da perspectiva de um investidor de referência ocupando a maioria no conselho, especialistas acreditam que a Copasa pode operar de maneira mais coesa, minimizando riscos de paralisia administrativa decorrentes de disputas entre sócios. Além disso, acredita-se que a Perfin não possui o perfil de um “acionista predatório” e deve conseguir criar sinergias com o novo sócio. No entanto, se ocorrerem desalinhamentos, a gestão da Copasa poderá enfrentar obstáculos significativos.
Para Viero, a coexistência de dois grandes grupos na mesma empresa pode ser benéfica, desde que a dinâmica entre eles seja saudável.
Raio-X da Copasa e da Perfin
Copasa
Fundação: 1963
Lucro líquido 2025: R$ 1,42 bilhão
Funcionários: 9.400
Municípios atendidos: 636
Perfin
Fundação: 2007
Setores de atuação: infraestrutura, equities e gestão patrimonial
Ativos sob gestão (2024): R$ 36 bilhões
