Trabalhadoras da Saúde em Ação
No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, as profissionais da Saúde se mobilizarão em um ato na icônica Avenida Paulista, em São Paulo. Organizado pelo SindSaúde-SP, o evento é parte de uma campanha maior da Central Única dos Trabalhadores (CUT) que busca não apenas o fim da violência contra as mulheres, mas também uma maior representação feminina nas instâncias de decisão, a eliminação da exaustiva jornada de trabalho 6×1 e a implementação de políticas públicas que promovam a soberania dos povos.
Os dados são alarmantes: em 2025, São Paulo registrou 233 casos de feminicídio, liderando o ranking nacional. Minas Gerais ficou em segundo lugar, com 139 ocorrências, conforme informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. É importante destacar que esses números podem não refletir a realidade, uma vez que muitos casos não são registrados devido à subnotificação.
A secretária da Mulher Trabalhadora do SindSaúde-SP, Renata Scaquetti, sugere que a atual situação é um reflexo das políticas de segurança pública implementadas pelo governo de Tarcísio de Freitas, que cortou investimentos cruciais em ações de prevenção à violência de gênero. “A disparidade entre os números é evidente e precisamos exigir ação imediata”, afirmou.
No cenário nacional, ações estão sendo tomadas para enfrentar o feminicídio. Em outubro de 2025, o presidente Lula sancionou uma lei que aumenta as penas para feminicídio e crimes contra mulheres. Contudo, Renata Scaquetti ressalta que, se os estados não adotarem políticas públicas efetivas para a prevenção, será muito difícil reverter esse quadro sombrio, mesmo com as novas legislações federais.
Diante desse cenário, o SindSaúde-SP convoca todas as mulheres da saúde a se juntarem à luta, cobrando do governo de São Paulo uma agenda proativa focada na segurança feminina, que inclua ações de prevenção à violência e um acolhimento adequado às vítimas de agressão. “Não queremos apenas discursos vazios em datas simbólicas. Exigimos ações concretas, um orçamento que seja realmente aplicado, valorização de nossas profissões e uma participação efetiva nas decisões que nos afetam”, destacou Renata.
A mobilização em São Paulo está marcada para o próximo domingo, 8 de março, com concentração a partir das 14h em frente ao Banco Central, na Avenida Paulista (número 1804). Além da capital, a cidade de Bauru também sediará um ato com o lema ‘Basta de Feminicídio’, reforçando a importância da luta em diversas regiões do estado.
