Demandas por Infraestrutura na Uemg de Ubá
Nesta quarta-feira (8/4/26), durante uma audiência pública, a comunidade acadêmica da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) em Ubá expressou a necessidade urgente de uma nova sede. O encontro, coordenado pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no Auditório José Alencar, reuniu professores e estudantes que protestavam em busca de soluções duradouras, especialmente após enfrentarem seis enchentes em apenas duas décadas.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT), que solicitou a reunião, destacou a precariedade da situação vivida pela comunidade acadêmica. “Foi a sexta enchente que a comunidade enfrentou. Ela já vivia em uma condição precária e desrespeitosa”, afirmou. Cerqueira também pontuou que a Uemg desempenha um papel crucial na inclusão, contribuindo para a formação e emancipação de indivíduos nas áreas mais afastadas do Estado. “Falar sobre a Uemg tem um recorte de classe, de gênero e raça”, completou.
Críticas e Reflexões sobre o Abandono
A deputada Lohanna (PV) também se pronunciou sobre a realidade da Uemg de Ubá, mencionando uma visita técnica que a marcou profundamente. “Foi um dos dias mais tristes da minha carreira na política institucional”, declarou, enfatizando a responsabilidade do Executivo em fornecer explicações sobre a situação alarmante. Lohanna criticou a inércia em relação à infraestrutura da instituição: “Seis enchentes dizem muito sobre a decisão pela omissão, pelo abandono”.
Outro ponto levantado foi a perda de materiais e equipamentos de pesquisa devido às inundações. A deputada Bella Gonçalves (PT) argumentou que não faz sentido reconstruir no mesmo local que já enfrentou múltiplos alagamentos. Ela anunciou esforços para conseguir um repasse de R$ 500 mil para obras de reestruturação e destacou a mobilização de parlamentares para aumentar esse montante.
Uemg e o Desenvolvimento Regional
A Uemg de Ubá, conforme relatou a diretora Kelly da Silva, atualmente atende 400 estudantes em cinco cursos, com um deles oferecido fora da sede. Além disso, a universidade atrai alunos de cerca de 20 municípios da Zona da Mata. Desde a sua fundação, a instituição já formou mais de 600 profissionais, muitos dos quais atuam em diversos estados do Brasil e até no exterior.
Kelly destacou a importância dos graduados em Design, que estão prontos para contribuir com o terceiro maior polo moveleiro do Brasil. Em sua fala, a diretora sublinhou que, através de bolsas, estágios e projetos sustentados por emendas parlamentares, a Uemg movimenta anualmente mais de R$ 1 milhão na economia local. “Pensar em educação é pensar em desenvolvimento regional e nacional”, refletiu.
Desafios e Esperanças na Comunidade Acadêmica
Com uma realidade difícil, Kelly da Silva enfatizou o empenho da equipe, que mesmo em um galpão improvisado, busca realizar um trabalho significativo. “Imagina o que seremos capazes de fazer em um espaço adequado”, desafiou. O vice-diretor Jorge de Assis Costa também reforçou a necessidade de melhores condições de infraestrutura para promover um ambiente mais propício ao aprendizado.
Douglas Marciano Braz, estudante do curso de Design, fez alusão ao impacto das enchentes na vida dos estudantes. “Essa chuva tirou do bueiro muito mais que barro”, declarou, ressaltando que o acesso à educação superior pode transformar realidades, oferecendo alternativas melhores e afastando pessoas de empregos subalternos.
Por isso, ele pediu um maior respeito à instituição. “A cada enchente, a gente perde um pouco da nossa história, do nosso esforço. Mais do que visibilidade, precisamos de respostas. A quem favorece esse desmonte?”, questionou, refletindo a angustiante expectativa da comunidade acadêmica por uma mudança significativa.
