Ação rigorosa da Anvisa
Belo Horizonte – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de todos os produtos alimentícios fabricados pela Capsul Brasil Indústria e Comércio S.A., localizada em Arcos, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A decisão, publicada na quarta-feira (8/04), inclui a proibição da fabricação, comercialização, distribuição, propaganda e uso de qualquer item da empresa.
Enquanto isso, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que o Inquérito Policial segue em andamento, com novas oitivas sendo realizadas, enquanto a empresa permanece interditada. Esta medida representa um endurecimento nas ações regulatórias após a Operação “Casa de Farinha”, deflagrada em 25 de março, que revelou graves irregularidades na produção de suplementos.
Relembrando a Operação Casa de Farinha
No dia 25 de março de 2026, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais (CIRA-MG), em colaboração com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Vigilância Sanitária estadual, a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Anvisa, realizou a Operação “Casa de Farinha” em Arcos e municípios vizinhos. Essa ação desarticulou um esquema complexo de fabricação clandestina de suplementos alimentares que apresentava sérios riscos à saúde pública.
Durante as investigações, foram encontradas condições inadequadas de produção, falta de controle de qualidade e produtos fabricados sem os princípios ativos declarados, além de promessas enganosas de cura para diversos problemas de saúde. O esquema criminoso não apenas comprometia a saúde dos consumidores, mas também envolvia uma sofisticada fraude tributária.
Fraude tributária e desvios milionários
As vendas dos suplementos, na prática, eram disfarçadas em notas fiscais como “e-books” ou “livros eletrônicos”, o que permitiu à empresa sonegar cerca de R$ 100 milhões em impostos. A operação resultou em um bloqueio significativo de bens, totalizando mais de R$ 1,3 bilhão em contas bancárias e ativos dos envolvidos. Além disso, 14 veículos de luxo, incluindo marcas como Ferrari e Porsche, foram apreendidos, assim como relógios suíços de alto valor e joias.
Os dois principais empresários da Capsul, com idades de 29 e 35 anos, foram detidos temporariamente. Nas redes sociais, eles exibiam um estilo de vida extravagante, com carros esportivos e viagens internacionais, enquanto vendiam cursos e e-books ensinando a replicar seu modelo de negócios. Um dos empresários tinha histórico criminal por violência doméstica, e o outro por crime eleitoral.
Consequências e desdobramentos futuros
Desde o dia da operação, a Capsul e seus galpões clandestinos estão interditados, impedindo qualquer atividade. As investigações apontam que mais de 300 empresas estavam envolvidas na comercialização dos produtos da Capsul, que atingiram mais de 1 milhão de consumidores em todo o Brasil.
Com a nova resolução da Anvisa, todos os suplementos da Capsul que ainda estão disponíveis no mercado devem ser recolhidos, reforçando a proteção à saúde pública. A Polícia Civil continua a coletar depoimentos para apoiar as investigações sobre os diversos crimes envolvidos no caso.
O processo ainda está em andamento e promete desdobramentos significativos, tanto na esfera judicial quanto na sanitária, nos meses que virão.
