Aumento nos Preços do Petróleo: As Consequências do Bloqueio no Estreito de Hormuz
Com o fracasso nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã, especialistas do setor de petróleo alertam para uma possível elevação nos preços do barril. O plano do ex-presidente Donald Trump de implementar um bloqueio naval no estreito de Hormuz pode agravar a já crítica situação energética global. Amrita Sen, fundadora e diretora de Inteligência de Mercado da Energy Aspects, prevê que a abertura dos mercados de petróleo neste domingo (12) será marcada por uma alta significativa se os EUA seguirem com a proposta de bloqueio, o que impediria a exportação de petróleo iraniano.
Atualmente, as exportações de petróleo bruto e derivados do Irã são permitidas, com os EUA flexibilizando algumas sanções para facilitar a importação. No entanto, um bloqueio real poderia paralisar entre 1,5 milhão a 1,7 milhão de barris por dia, além dos mais de 10 milhões de barris já afetados por interrupções comerciais. “Se um bloqueio genuíno se concretizar, será um impacto significativo no mercado”, destacou Sen.
A estratégia de Trump, ao anunciar o bloqueio, aparenta ser uma tentativa de pressionar o regime iraniano, que ainda consegue enviar petróleo para importantes mercados, como a China, mesmo durante o conflito. As conversações entre os EUA e o Irã, que tinham como objetivo transformar um cessar-fogo de duas semanas em um acordo de paz mais duradouro, terminaram sem sucesso no último sábado (11).
O estreito de Hormuz é crucial, pois cerca de 20% do suprimento global de petróleo e gás natural liquefeito transita por essa rota, um dos principais pontos de estrangulamento energético do mundo. Embora analistas achem que a estratégia dos EUA de bloquear o estreito não signifique um retorno imediato ao combate, ela cria um ambiente de tensão que pode exacerbar a escassez de derivados de petróleo essenciais, como gasolina de aviação e diesel.
Kevin Book, chefe de pesquisa da ClearView Energy Partners, comenta que “a escalada tende a gerar mais escalada” e que bloquear navios-tanque iranianos pode aumentar os preços e piorar a falta de combustíveis. A postura do presidente Trump sugere que ele está disposto a arriscar um desabastecimento prolongado, mesmo com os preços de gasolina e diesel elevando nos EUA, especialmente com a temporada de viagens de verão se aproximando. Helima Croft, chefe global de estratégia de commodities da RBC Capital Markets, observa que “isso demonstra que Trump está disposto a sacrificar a estabilidade do fornecimento para manter sua posição sobre o enriquecimento de urânio no Irã”.
Historicamente, o presidente dos EUA conseguiu estabilizar os preços do petróleo ao sinalizar que estava buscando o fim do conflito, mas um bloqueio poderia alterar essa dinâmica e modificar a percepção do mercado em relação à duração da crise, resultando em uma convergência entre as operações físicas e as expectativas dos investidores.
No fechamento do mercado na sexta-feira (10), o preço do petróleo Brent caiu quase 1% para US$ 95,20 (R$ 478,12) o barril, registrando sua maior queda semanal desde agosto de 2022, impulsionada pela esperança de um acordo nas negociações de paz. O West Texas Intermediate, referência americana, também apresentou queda de 1,3%, encerrando a semana a US$ 96,57 (R$ 485) o barril.
Analistas como Jorge León, da Rystad Energy, acreditam que os preços do petróleo podem voltar a ultrapassar os US$ 110 (R$ 552,45) o barril assim que as negociações forem reiniciadas. “O que realmente importa é que as chances de um cessar-fogo duradouro despencaram”, enfatizou León. A grande questão que permanece é se o Irã e seus aliados responderão a essa escalada, potencialmente atacando a infraestrutura energética crítica da região.
