Conflito entre Discurso e Prática
Na última quarta-feira, durante uma coletiva de imprensa na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o deputado Lucas Lasmar fez fortes críticas ao governo de Mateus Simões. Estando presente o Divinews, a fala de Lasmar trouxe à tona a discrepância entre a realidade rural de Minas e a política que, segundo ele, nem sempre se traduz em ações concretas. O parlamentar lamentou que o governo, enquanto promove um discurso de valorização em público, adote uma postura contraditória em sessões do plenário, especialmente na votação de gratificações para servidores da Fazenda e na discussão sobre a venda de imóveis públicos.
Lasmar destacou o recente avanço da proposta que institui o chamado CEP rural, aprovada em segundo turno. Para o deputado, essa nova ferramenta tem o potencial de melhorar a logística e facilitar o acesso a serviços públicos nas áreas rurais, onde a localização e o atendimento ainda são problemáticos. Ele descreveu o CEP rural como um “CEP digital”, que deve simplificar a colaboração entre o governo estadual, municipal e federal, além de integrar sindicatos rurais, tornando mais eficaz a localização de propriedades fora dos centros urbanos.
Melhorias na Saúde com o Novo Sistema
Em sua análise, Lasmar enfatizou que o novo sistema poderá facilitar a chegada de serviços essenciais, como a atuação da Polícia Militar, da Polícia Civil e do SAMU, às áreas rurais, que ainda enfrentam desafios para acesso à saúde. Ele argumentou que essa tecnologia pode encurtar a distância e permitir que o GPS leve serviços públicos de forma mais eficiente. O deputado defendeu que o cadastramento do CEP rural deve ser uma colaboração entre o Estado, os municípios e o governo federal, destacando a já existente exigência de georreferenciamento das propriedades.
Entretanto, ao mudar de tema, Lasmar expressou sua indignação com a postura do governo em relação às gratificações dos servidores. O deputado afirmou que, mesmo com a oposição preparada para votar o projeto, o governo teria sabotado a votação ao não garantir a presença de sua própria base, criando uma situação de falta de quórum. Essa crítica expõe uma contradição central: enquanto o governo se apresenta como defensor dos servidores nas redes sociais e na mídia, nas votações reais, suas ações não se alinham com esse discurso.
Desigualdade nas Gratificações e a Isonomia Necessária
A situação se tornou ainda mais tensa quando Lasmar abordou as emendas propostas pela oposição, ressaltando que o governo alegou um impacto financeiro que considerou artificial. Ele ressaltou que a disparidade entre categorias que desempenham funções semelhantes é evidente, especialmente em relação a plantões, e que a busca da oposição é por isonomia entre os profissionais do Estado. A acusação de seletividade na valorização dos servidores, segundo Lasmar, compromete a tramitação dos projetos e impede que benefícios cheguem à base do serviço público, ilustrando uma política que prioriza uma pequena parte da estrutura, em vez de atender à demanda geral.
Imóveis Públicos e a Resistência Política
Durante a coletiva, o deputado também levantou questões sobre a proposta de venda de imóveis do Estado, afirmando que, sem um acordo com deputados da oposição e da base, essa proposta não deve avançar. Ele ressaltou que a resistência à venda não vem apenas da oposição, mas também de parlamentares governistas preocupados com a perda de imóveis essenciais em suas bases eleitorais. Lasmar mencionou terrenos que abrigam a APAE, aeroportos e unidades de saúde que estariam incluídos no pacote de venda, alertando que o governo pode estar vendendo ativos importantes para solucionar uma dívida que, segundo ele, foi gerada pela própria administração.
Por fim, o deputado criticou a desconexão entre as decisões tomadas em Belo Horizonte e a realidade das cidades do interior. Segundo Lasmar, essa relação precária resulta em soluções inadequadas para problemas locais, imputando ao governo a responsabilidade por tratar o assunto com desinteresse e distanciamento. A coletiva, ao destacar o avanço de propostas tecnológicas e ao mesmo tempo expor as falhas do governo, deixou claro que a disputa em Minas é tanto territorial quanto política, refletindo um embate constante na Assembleia Legislativa.
