Reação da Oposição ao Plano de Simões
A proposta apresentada pelo governador Mateus Simões (PSD) para a reativação do programa de escolas cívico-militares em Minas Gerais gerou uma onda de críticas na Assembleia Legislativa. A oposição não hesitou em classificar a iniciativa como eleitoreira, ressaltando a inviabilidade de implementar o projeto antes do término da atual gestão, que se encerra no final deste ano.
A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) foi uma das vozes mais incisivas contra a proposta. Segundo ela, não apenas falta tempo, como também não há recursos disponíveis para viabilizar tal projeto. Em suas palavras, “não dá para fazer” dentro do prazo estipulado.
“Esse governo teve oito anos para fazer política na área da educação e agora, na véspera do período eleitoral, é que esse projeto vem para a Assembleia”, questionou a deputada, que acredita que a proposta de lei enviada à Assembleia para adequar o projeto às exigências do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) é parte de uma estratégia eleitoral do governador. Beatriz apontou que o governador busca se reaproximar dos servidores militares do estado em um momento crítico para sua administração.
A deputada ainda levantou uma questão sobre a constitucionalidade do projeto, afirmando que não caberia ao governo estadual legislar sobre essa questão. O governo, por sua vez, refutou essa análise, reiterando que, independentemente das objeções, a proposta não será viável em 2026 devido à falta de orçamento. “O orçamento já foi votado e não tem esse programa”, concluiu.
Recursos e Orçamento em Debate
Embora a oposição mantenha uma postura firme, o governador Simões defende que os recursos para a iniciativa poderão ser obtidos por meio de remanejamento orçamentário. Ele citou precedentes em que outras ações na área da educação foram viabilizadas dessa forma, como o aumento dos recursos destinados à merenda escolar.
Contudo, a proposta não atraiu apenas as críticas de Beatriz Cerqueira. A deputada Lohanna (PV) também expressou suas preocupações. Ela argumenta que o governador está se aproveitando do desconhecimento da população em relação aos modelos de ensino, criando a ilusão de que a adesão ao modelo cívico-militar transformaria todas as escolas em Colégios Tiradentes, da Polícia Militar.
“Existem diferenças abissais. Para início de conversa, o Colégio Tiradentes tem seleção de alunos. Parte das vagas é prioritária para filhos de militares, mas a outra parte tem seleção”, esclareceu Lohanna. Ela também destacou que o investimento necessário para a estruturação do Colégio Tiradentes é significativamente maior do que o previsto para as escolas cívico-militares.
Críticas à Prioridade da Educação
A parlamentar ainda criticou a proposta do governador, afirmando que o anúncio do programa parece ser uma manobra para desviar a atenção dos problemas reais enfrentados pelas escolas, como a falta de infraestrutura, a superlotação das turmas e a carência de apoio aos profissionais da educação. “Ele quer fazer parecer que está numa cruzada do bem contra o mal através da ‘militarização’, que parece fetiche para esse pessoal”, avaliou.
Assim, enquanto o governo tenta justificar a implementação do programa de escolas cívico-militares, a oposição continua a levantar questões sobre a viabilidade, a constitucionalidade e a real intenção por trás da proposta. Com um cenário eleitoral se aproximando, a pressão por transparência e responsabilidade no setor educacional se intensifica em Minas Gerais.
