Levantamento Inédito sobre Estudantes de Graduação
Nas últimas três décadas, um conjunto de cinco pesquisas se tornou essencial para mapear as transformações no perfil socioeconômico e cultural dos estudantes de graduação nas universidades públicas brasileiras. Essas investigações evidenciam não apenas a diversidade presente nesse público, mas também a efetividade das políticas afirmativas implementadas ao longo do século. Os dados coletados foram fundamentais para justificar a alocação de recursos permanentes aos programas de assistência estudantil, que visam garantir a permanência de grupos historicamente marginalizados no ensino superior.
Após um intervalo de oito anos, foi lançada neste mês a sexta edição do perfil socioeconômico e cultural dos alunos de graduação. O objetivo é alcançar 1,3 milhão de estudantes de 69 universidades federais, além dos Cefets de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. Para esta edição, a pesquisa conta com a colaboração da Andifes, que coordenou as edições anteriores, e com a validação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC). As edições anteriores foram realizadas em 1996, 2003, 2010, 2014 e 2018.
Dados Atualizados para Tomada de Decisões
A pesquisa, que estará disponível para resposta até o dia 4 de maio, tem como meta coletar informações atualizadas sobre as condições econômicas e sociais, a trajetória acadêmica, o acesso a políticas institucionais, além de aspectos relacionados à saúde e ao trabalho dos estudantes. Segundo Licínia Maria Corrêa, pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFMG, os dados coletados são essenciais para embasar decisões que impactarão positivamente a vida acadêmica dos discentes. A pró-reitora participou da estruturação do estudo, contribuindo com sua experiência no Fórum Nacional de Pró-reitores de Assuntos Estudantis (Fonaprace).
Na UFMG, 33,5 mil alunos de graduação têm a oportunidade de responder ao levantamento. Licínia Corrêa destaca que, por ser uma pesquisa censitária, o objetivo é atingir a totalidade ou um número expressivo de estudantes. Ela ressalta que as edições anteriores foram cruciais para legitimar a criação de uma política nacional de assistência estudantil, que foi formalizada em 2024.
Questionário Abrangente para Identificação de Necessidades
O questionário da sexta edição é composto por 54 perguntas, abordando temas como identidade, perfil socioeconômico, escolaridade dos pais, origem e localização da universidade, área de estudos, interesses profissionais, condições de saúde mental e participação em atividades culturais e sociais. A estimativa é que os estudantes levem de 10 a 15 minutos para responder a todas as perguntas.
Um dos principais objetivos do levantamento é alcançar todos os estudantes, incluindo aqueles que não são atendidos por programas de assistência. Licínia Corrêa enfatiza que existem alunos que necessitam de apoio, mas que muitas vezes não são identificados pelas instituições. “Esse levantamento também será fundamental para localizar essas pessoas”, afirma a pró-reitora.
Resultados que Podem Nordear Políticas Educacionais
A análise dos dados coletados poderá oferecer subsídios ao governo federal e às universidades para compreender os desafios em relação à democratização do acesso ao ensino superior, que tem avançado nas últimas décadas. Isso inclui a ampliação das cotas para pessoas com deficiência e quilombolas. Segundo Licínia Corrêa, “com esses dados, poderemos reestruturar os programas de assistência estudantil, direcionando esforços para as áreas que mais necessitam de apoio, garantindo assim uma maior permanência dos alunos no ensino superior”.
