Queda Significativa no Setor de Serviços
O setor de serviços em Minas Gerais registrou uma queda alarmante de 3,7% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse desempenho representa a pior marca para o mês em cinco anos, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta terça-feira (14). Enquanto isso, o cenário nacional apresentou uma evolução mais estável.
Os serviços profissionais, administrativos e complementares despencaram 8,9%, e o setor de transportes caiu 5,1%, ambos contribuindo significativamente para a retração observada. Na comparação entre fevereiro e janeiro de 2026, Minas também enfrentou um recuo de 0,1%, marcando a terceira queda consecutiva após um desempenho negativo em janeiro (-0,4%) e em dezembro (-1,9%).
Estabilidade Nacional em Contraste ao Desempenho Mineiro
Enquanto Minas Gerais experimenta essa queda, o setor de serviços em todo o Brasil se mostra mais estável, variando entre 0% e 0,7% nos últimos meses. No acumulado do ano, que compreende janeiro e fevereiro, o setor nacional cresceu 1,9% comparado ao mesmo período de 2025. Em contraste, Minas apresenta um decréscimo de 2,5% após ajustes sazonais, posicionando-se entre os três estados que apresentaram os piores resultados, atrás apenas do Rio de Janeiro (-3,4%) e do Paraná (-2,5%).
Daniel Dutra, analista do IBGE responsável pela pesquisa em Minas, apontou que o cenário de fevereiro é desafiador, especialmente em comparação a 2025, devido à forte influência negativa dos transportes e serviços administrativos. A análise segmentada revelou que os serviços de organização de eventos, transporte rodoviário de carga e locação de automóveis foram os que mais sofreram quedas em volume.
“Desde outubro de 2020, não observávamos um recuo tão acentuado no indicador anualizado. Não é possível afirmar com certeza se a situação irá se agravar, mas já começamos o ano em condições mais desfavoráveis em relação ao ano passado”, destacou Dutra.
A Estrutura Produtiva de Minas e Suas Implicações
Stefan D’Amato, economista e conselheiro de política econômica, elucidou que a performance aquém do esperado do setor de serviços em Minas se deve, em grande parte, à estrutura produtiva do estado. Diferente de outras regiões, com forte presença de serviços voltados para o consumo das famílias, Minas possui uma significativa participação de serviços intermediários, que são profundamente dependentes das dinâmicas industriais, logísticas e empresariais.
Segundo D’Amato, “qualquer desaceleração nesses segmentos em Minas tende a impactar mais intensamente o setor de serviços, aprofundando a retração”. Ele ainda destacou que a pressão negativa recai sobre os serviços profissionais, administrativos e transportes, que estão intrinsecamente ligados ao funcionamento das empresas e à circulação de mercadorias.
O economista ressaltou que essa diminuição sugere um ambiente de menor dinamismo econômico, onde as empresas tendem a reduzir a contratação de serviços especializados, ajustar custos e operar com mais cautela.
Fatores Externos e Projeções Futuras
Além disso, a queda no setor de serviços é intensificada pelas incertezas políticas e econômicas globais, que incluem tensões entre países. Com custos logísticos elevados, o impacto se torna ainda mais notável nas cadeias produtivas, exportações e decisões de investimento, especialmente em economias regionais como a mineira.
Para os próximos meses, as expectativas apontam para a continuidade de um cenário moderado, embora haja oscilações pontuais. “A recuperação do setor dependerá de uma retomada mais consistente da atividade produtiva, tanto no nível doméstico quanto internacional, além de melhorias nas condições de crédito e confiança empresarial”, concluiu D’Amato.
Enquanto esses fatores não se estabelecerem, a expectativa é de que o setor de serviços em Minas Gerais continue a refletir um ambiente adverso. Assim, o desempenho do estado deve permanecer relativamente mais fraco em comparação ao agregado nacional.
