Ação da Comissão de Cultura em Santana do Riacho
A Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) se prepara para uma visita técnica à Lapinha da Serra, localizada em Santana do Riacho, nesta sexta-feira (17/4/26), às 10 horas. A iniciativa partiu da deputada Beatriz Cerqueira (PT), atendendo a uma solicitação dos moradores da região.
O objetivo central dessa atividade é documentar a importância do Grande Abrigo e de outros sítios arqueológicos da área. Além disso, a comissão pretende avaliar as condições de conservação do abrigo e a acessibilidade da população a esses bens culturais e históricos que formam parte do patrimônio mineiro.
Preocupações da Comunidade e Impactos Ambientais
A solicitação pela visita técnica surgiu após uma demanda dos moradores de Santana do Riacho, que expressaram suas preocupações durante uma visita da comissão em novembro do ano passado. Na ocasião, foram levantadas questões sobre os impactos das operações da Pequena Central Hidrelétrica Coronel Américo Teixeira na região.
Moradores reportaram que a empresa direciona a água da lagoa para um reservatório privado, o que compromete a pesca e as atividades de lazer locais. Além disso, as visitas ao Grande Abrigo estariam sendo restringidas. Informações coletadas junto à comunidade revelaram que, no sítio arqueológico, foram encontradas 48 ossadas humanas e fragmentos de ferramentas que datam de aproximadamente 4 mil anos.
Importância do Grande Abrigo e Registro Histórico
O Grande Abrigo, segundo um cadastro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) existente há 28 anos, consiste em um paredão coberto de pinturas que se estende por 110 metros de comprimento e 12 metros de largura. As pinturas são estimadas como pertencentes ao período pré-colonial e foram realizadas com o uso de artefatos polidos e lascados.
Um registro, que inclui mapa e fotografias do local, foi elaborado pela equipe de Arqueologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O documento destaca não apenas a relevância do sítio arqueológico, classificada como alta, mas também indica que o grau de integridade do local, há três décadas, era superior a 75%.
Com a visita da Comissão de Cultura, espera-se trazer à tona a importância da preservação do patrimônio cultural e histórico da Lapinha da Serra, além de abordar as preocupações da comunidade em relação às atividades da hidrelétrica e seus impactos na região.
