Tensão entre Supremo e Ex-Governador Ganha Destaque nas Redes Sociais
Na última quarta-feira, 15, uma intensa troca de farpas ocorreu nas redes sociais entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo. O desentendimento teve origem em meio aos desdobramentos do relatório final da CPI do Crime Organizado, que sugeriu o indiciamento de Mendes, de seus colegas Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. No entanto, a proposta do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) não obteve a aprovação da maioria do colegiado.
Zema, que se posiciona como pré-candidato à Presidência da República, tem se envolvido em polêmicas com membros do STF. Durante um evento promovido pela Associação Comercial de São Paulo na última segunda-feira, 13, o ex-governador disparou críticas contundentes, chamando o tribunal de “podridão” e reivindicando o afastamento e a prisão de Toffoli e Moraes, devido a supostas ligações com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Gilmar Mendes, por sua vez, não hesitou em rebater Zema em uma postagem no X. Ele expressou ironia ao notar que, apesar das críticas, o ex-governador havia se beneficiado de decisões do STF que permitiram a prorrogação do pagamento de dívidas do estado com a União. Mendes enfatizou: “A contradição é latente: quando o STF profere decisões que garantem o fluxo de caixa ou suprem omissões do Legislativo local, a Corte é acessada como agente necessário ao funcionamento da máquina estatal.”
Essa afirmação está relacionada às liminares concedidas pelo Supremo que suspenderam o pagamento da dívida de Minas, estimada em aproximadamente 165 bilhões de reais em maio de 2025. Um exemplo notável ocorreu em fevereiro deste ano, quando o ministro Kassio Nunes Marques atendeu ao governo do estado ao suspender, por seis meses, uma ação que buscava a execução judicial do débito. Essa medida permitiu que Zema continuasse as negociações para a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados.
Gilmar Mendes acrescentou que, sem o “socorro” do STF, Zema teria enfrentado uma grave desorganização fiscal, comprometendo serviços públicos essenciais. “Contudo, basta que a Corte contrarie interesses políticos desse grupo para que o pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de ‘ativismo judicial’ e a ataques à honra dos ministros. É a política do utilitarismo: o STF serve como escudo fiscal e contábil, mas é tratado como vilão quando decide conforme a Constituição — e não conforme a conveniência de ocasião,” completou o ministro.
A resposta de Zema não tardou a acontecer. Em uma entrevista ao site O Antagonista, o ex-governador refutou as críticas de Mendes, expressando sua preocupação com “o modelo mental de Gilmar Mendes”. Ele acusou o ministro de ter expedido uma decisão favorável a Minas apenas para que ele ficasse “submisso” à Corte. “Você pode estar acostumado a ameaçar seus amiguinhos da velha política que jogam tudo para debaixo do tapete e resolvem nas escondidas. Comigo é diferente,” afirmou Zema, reafirmando sua posição como pré-candidato presidencial.
