Críticas ao STF e Acusações de Desequilíbrio Eleitoral
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, manifestou suas preocupações sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Flávio, Moraes está tentando desequilibrar a disputa eleitoral deste ano por meio de suas ações judiciais. Essa declaração ecoa uma crítica semelhante já formulada por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), durante as eleições de 2022. A recente decisão de Moraes, que autorizou a abertura de um inquérito para investigar o senador por suspeita de calúnia contra o presidente Lula (PT), foi apontada como evidência dessa tentativa de desequilíbrio.
Flávio comentou: “Está muito claro qual é a estratégia. Agora que Alexandre de Moraes não está mais no TSE [Tribunal Superior Eleitoral], ele tentará desequilibrar as eleições a partir do Supremo. […] Essa prática não pode ser aceito nas eleições, especialmente em 2026.” Para o senador, a intervenção de Moraes prejudica a lisura do processo eleitoral.
Reclamações sobre Implicações Passadas
O senador Flávio Bolsonaro não está sozinho em suas críticas. Ao lado de outros apoiadores do ex-presidente, ele expressou descontentamento com a forma como Moraes atuou no TSE durante as eleições anteriores. Para eles, as decisões do ministro favoreceram a vitória de Lula, comprometendo a imparcialidade das disputas. Flávio argumenta que Moraes deverá utilizar o inquérito das Fake News como ferramenta durante as eleições, visando adversários políticos alinhados à direita.
“Já vimos esse filme antes. Autorizou-se a Moraes a cometer uma série de abusos… Sob o pretexto de defender a democracia, ele atropelou vários direitos e garantias individuais de parlamentares da direita”, criticou Flávio, levantando a voz contra o que considera ser uma tentativa de silenciamento.
Desequilíbrio entre os Poderes e Reação do Senado
O senador também apontou que existe um desequilíbrio entre os Poderes e que cabe ao Senado buscar reequilibrá-lo. Antes de Flávio, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) também fez duras críticas ao STF, durante uma sessão plenária. Vieira, que é o autor do relatório da CPI do Crime Organizado e tinha proposto o indiciamento de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, afirmou estar sendo ameaçado e criminalizado, exigindo uma postura mais firme do Senado.
Em resposta a essas declarações, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se comprometeu a colocar à disposição a Advocacia do Senado para auxiliar Flávio, Vieira e outros senadores em qualquer necessidade, incluindo a elaboração de propostas para defender a legitimidade do voto popular e as prerrogativas dos senadores.
Desfecho das Críticas e Investigações
Entretanto, a proposta de Vieira foi rejeitada na comissão, com uma votação de 6 a 4, após articulações que envolveram o governo, o STF e Alcolumbre. Gilmar Mendes, Toffoli e o presidente do STF, Edson Fachin, além de terem criticado Vieira publicamente, provocaram indignação entre outros senadores que se solidarizaram com ele, como Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Marcos do Val (Avante-ES). Eles alegam que as ações do STF atacam o Senado como um todo ao agir contra o relator da CPI.
A pressão sobre o Senado aumentou, com o senador Cleitinho (Republicanos-MG) exigindo que Alcolumbre tome uma atitude firme em relação ao STF. “O Senado precisa enviar uma mensagem clara para o STF. É necessário colocar o tribunal em seu devido lugar”, protestou Cleitinho.
O inquérito aberto por Moraes investiga uma publicação feita por Flávio sobre o sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro, na qual o senador insinuou que Lula estaria ligado a delitos graves, como tráfico de drogas e apoio a ditaduras. A Polícia Federal alegou que Flávio fez acusações infundadas contra Lula, resultando na solicitação de Moraes para a abertura de um inquérito por calúnia, que foi respaldada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que identificou indícios de crime.
