Itens Essenciais Impulsionam o Crescimento
Em fevereiro, o comércio de Minas Gerais apresentou um avanço de 2,5%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O destaque desse crescimento foi o consumo de produtos básicos do dia a dia, como itens farmacêuticos, ortopédicos e de perfumaria, que se mostraram fundamentais para o desempenho positivo do setor.
Em comparação com o mês anterior, janeiro, o varejo mineiro se destacou, superando o crescimento nacional, que foi de apenas 0,6%. A trajetória ascendente do comércio em Minas é notável, com sete períodos de alta nos últimos 12 meses, embora também tenha registrado quatro baixas e um momento de estabilidade. Com o resultado recente, o estado acumula um aumento de 3,4% nos últimos seis meses e de 1,6% ao longo de um ano, índices que estão acima da média nacional, que ficou em 2,2% e 1,5%, respectivamente.
Pressão Financeira nas Famílias
A economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Fernanda Gonçalves, observa que, apesar de o resultado ser otimista, ele reflete a necessidade das famílias de priorizar o consumo de itens essenciais. “As famílias estão tendo que priorizar o básico do dia a dia, como alimentação e higiene pessoal. O comércio de giro rápido, como supermercados e farmácias, pode esperar um ano positivo, pois é difícil que as pessoas deixem de consumir esses bens necessários”, explica.
Fernanda também alerta sobre o elevado risco de endividamento, que afeta muitas famílias. Ela destaca que as categorias que se mostraram resilientes durante esse período, como remédios e alimentos, são produtos que não podem ser deixados de lado nas escolhas cotidianas.
Desafios no Varejo e Cenário Econômico
Embora o comércio varejista tenha passado por um bom período em fevereiro, algumas preocupações surgem quanto à sustentabilidade desse crescimento. Se apenas certos segmentos estão crescendo, enquanto outros permanecem estagnados ou em queda, a dependência dos produtos que estão tendo bom desempenho pode aumentar.
Dados do IBGE revelam que, no mesmo mês, quatro das oito atividades analisadas apresentaram quedas ou estabilidade em relação ao ano anterior. Os segmentos de móveis e eletrodomésticos caíram 12%, enquanto livros, jornais, revistas e papelaria tiveram uma queda de 11,8%. O setor de hipermercados e supermercados, por sua vez, mostrou-se estável.
Fernanda Gonçalves comenta que as restrições atuais na economia, principalmente ligadas à saúde financeira das famílias e ao consumo, estão sendo influenciadas pelas altas taxas de juros e pelo nível elevado de endividamento. “A postura mais cautelosa do consumidor é esperada, limitando um crescimento mais robusto em várias atividades”, diz.
Entretanto, ela ressalta que a proximidade de um ano eleitoral pode trazer mudanças positivas. A ampliação da faixa de isenção do imposto de renda pode gerar mais renda disponível para o consumo, e as expectativas em torno da redução das taxas de juros podem proporcionar uma melhor performance para bens duráveis no varejo. “Os próximos meses podem continuar seguindo essa tendência positiva”, conclui.
