A Revolução dos Pisos Esportivos
Campinas (SP) — O desenvolvimento do esporte nacional vai além de atletas e gestores. Durante o CBC & Clubes Expo 2026, realizado recentemente em Campinas, a tecnologia aplicada aos pisos esportivos se destacou como um dos pilares fundamentais para o alto rendimento. Neste evento, empresas do setor apresentaram inovações que conectam ciência e prática esportiva, criando soluções que visam aumentar a longevidade e o desempenho dos atletas. A Recoma, reconhecida por fornecer as superfícies para os principais torneios, como basquete, vôlei, judô e handebol, é uma das que aposta nesse avanço.
Com 47 anos de experiência em mais de 40 modalidades, a Recoma tem um portfólio que abrange desde a iniciação até o alto rendimento em esportes. Segundo Sérgio Schildt, presidente da empresa, o objetivo é replicar no Brasil as condições ideais de prática esportiva encontradas nos grandes centros mundiais, tanto para atletas profissionais quanto para formação de novos talentos.
Foco na Saúde do Atleta
“Estamos desenvolvendo as mesmas condições de prática do exterior para nossos atletas e criando uma base sólida para formar novos talentos”, afirmou Schildt em entrevista ao Correio, durante sua participação no estande da Recoma no CBC & Clubes Expo. Um dos pontos centrais em discussão é a tecnologia dos pisos, que vai muito além de uma simples superfície. O material utilizado impacta diretamente na saúde do atleta. “A segurança na prática do esporte é uma de nossas principais preocupações. Um bom amortecimento de impacto e a abrasividade correta são fundamentais para preservar a saúde e a performance dos atletas”, explicou.
A lógica por trás dessa tecnologia é clara: quanto menor o impacto repetitivo, maior a durabilidade do corpo ao longo da carreira, especialmente em modalidades que exigem muito do atleta, como judô e basquete. Essa diferença pode ser crucial para prolongar não apenas o tempo de atuação, mas também a qualidade de vida dos esportistas. Nesse sentido, a Recoma adota um diferencial estratégico: a colaboração de atletas olímpicos no desenvolvimento de seus produtos.
Atletas Olímpicos e Inovações Tecnológicas
Atletas como Maurren Maggi, ouro no salto com vara em Pequim-2008; Arthur Zanetti, campeão em Londres-2012 nas argolas da ginástica artística; Rafael Silva, medalhista olímpico no judô; e Guilherme Giovannoni, ídolo do basquete, estão diretamente envolvidos nos testes e ajustes das novas tecnologias. “O Baby (Rafael Silva) testou nosso sistema de amortecimento no judô, enquanto o Giovannoni contribui com a base do basquete. A Maurren participa nas pistas. Estamos criando soluções com quem vive o alto rendimento”, detalhou Schildt.
Além disso, a Recoma envolve atletas em atividade, como Abner Teixeira, medalhista de boxe em Tóquio-2020, e profissionais em transição de carreira. Eles trazem uma bagagem valiosa de competições internacionais, ajudando a validar os produtos desenvolvidos. “A experiência que eles compartilham melhora significativamente nossos resultados”, acrescentou.
Desafios e Oportunidades no Cenário Nacional
A discussão sobre a evolução constante das condições esportivas é ainda mais relevante quando se observa as categorias de base. Segundo Schildt, muitas estruturas no Brasil não oferecem as condições ideais para a prática esportiva. “A ABNT já estabeleceu diretrizes que indicam que o piso de concreto não é adequado para a prática esportiva, pois oferece riscos à saúde. Por isso, criamos uma tecnologia que revitaliza quadras em apenas quatro dias, garantindo absorção de impacto e segurança”, destacou o executivo, mencionando os projetos da Recoma em parceria com entidades governamentais.
Os projetos em formato de revitalização já somam centenas de intervenções em estados como São Paulo e Minas Gerais. Esse impacto vai além da segurança imediata: a tecnologia contribui para aumentar a vida útil dos atletas, reduzindo o desgaste físico ao longo dos anos. “Desde a iniciação esportiva, as crianças praticam em condições melhores, o que ajuda a preservar articulações e permite que joguem por mais tempo”, completou Schildt.
Pisos Sintéticos: Uma Solução Controversa
A Recoma é referência na fabricação de pisos esportivos e fornecedora oficial das confederações brasileiras de vôlei, basquete, judô e handebol. A empresa também se posiciona no debate sobre a utilização de gramados sintéticos versus naturais no futebol profissional. Para Schildt, a resistência à implementação de gramados sintéticos se baseia em percepções desatualizadas. “A grama sintética já está na sua sexta geração. Muitas pessoas ainda olham para tecnologias de oito ou dez anos atrás. Atualmente, a qualidade é completamente diferente”, afirma.
Além do aspecto técnico, o fator financeiro também entra na equação. “Hoje, os estádios precisam se sustentar. Com gramado natural, o custo de manutenção é altíssimo. O sintético, por sua vez, permite maior uso e melhor aproveitamento”, disse Schildt. Ele alerta que, embora existam clubes que mantêm gramados naturais em boa condição, a maioria enfrenta sérios problemas, como durabilidade e drenagem.
A Importância da Interação entre Tecnologia e Esporte
A participação da Recoma no CBC & Clubes Expo destaca a tecnologia como uma aliada da gestão esportiva. O evento não foi apenas uma exposição, mas uma oportunidade de networking entre empresas, clubes e atletas. “Recebemos demandas dos clubes e apresentamos soluções. Também orientamos sobre uso, manutenção e gestão dos espaços, o que ajuda a maximizar investimentos e aprimorar a prática esportiva”, concluiu Schildt.
À medida que inovação, ciência e experiência prática caminham juntas, fica evidente que o desempenho esportivo é impulsionado não apenas pelo talento, mas também pela qualidade do ambiente onde os atletas atuam. No final, a mensagem é clara: o sucesso nas competições começa muito antes do apito inicial e se constrói a partir do espaço onde o atleta se apresenta.
