Incertezas em torno da proposta após exoneração do secretário de Educação
O projeto das escolas cívico-militares permanece estagnado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e já contabiliza quinze dias sem qualquer movimento para a sua tramitação. Quando havia uma leve expectativa de que o processo avançasse, a exoneração do secretário de Educação, Rossieli Soares, na última segunda-feira (27/4), interrompeu o fluxo da iniciativa, colocando o texto novamente na “geladeira”.
Segundo informações do governo, a proposta foi apresentada ao parlamento mineiro no dia 13 de abril e classificada como uma prioridade pelo governador Mateus Simões (PSD). Entretanto, após duas semanas, o projeto ainda não foi lido em plenário, o que significa que não foi oficialmente recebido pela Assembleia. Sem essa etapa inicial, a proposta não pode seguir para as comissões responsáveis pela análise.
A expectativa é que na reunião agendada para esta quarta-feira (29/4), os deputados possam finalmente oficializar o recebimento do texto. Na reunião anterior, realizada na terça-feira (28/4), essa leitura não ocorreu.
A proposta deveria ser discutida em uma audiência pública na Comissão de Esportes da Assembleia, marcada também para a terça-feira (28/4). A estratégia do governo era apresentar o texto em uma comissão que tem maioria favorável, evitando um debate mais acirrado na Comissão de Educação, onde a oposição é predominante e se opõe ao projeto.
No entanto, a exoneração inesperada do secretário Rossieli, divulgada na noite de segunda-feira (27/4), frustrou essa audiência. Ele era o convidado principal do evento e responsável por defender a proposta. Sem sua presença, a audiência não pôde ser realizada.
Após o cancelamento, o presidente da comissão foi contatado por meio de sua assessoria, que informou que não haveria comentários sobre a situação, pelo menos por enquanto.
O líder de governo, João Magalhães, e o deputado Cássio Soares, que lidera o bloco da base e ambos pertencem ao mesmo partido do governador Mateus Simões (PSD), também foram acionados para comentar a posição da base em relação à aprovação do projeto. Contudo, até o fechamento desta matéria, não obtivemos retorno.
Escolas Cívico-Militares: Um Projeto Ambicioso
O projeto sobre as escolas cívico-militares foi encaminhado à Assembleia no dia 13 de abril, após uma tentativa anterior de implementação sem a devida autorização legislativa. O governador Mateus Simões (PSD) divulgou que o programa pode abranger até 700 instituições em todo o estado, um número que, segundo ele, representa o limite operacional estabelecido por seu governo. Contudo, a viabilidade do avanço desse projeto depende essencialmente da disponibilidade de militares qualificados para atuar nas escolas.
Em entrevista exclusiva a O TEMPO, Mateus Simões detalhou que a implementação do programa é uma prioridade para seu governo, mas também reconheceu os desafios que a proposta enfrenta no Legislativo. A incerteza sobre o futuro das escolas cívico-militares em Minas Gerais reflete um contexto político tenso, onde a tramitação de propostas importantes pode ser interferida por mudanças inesperadas nas lideranças e nas alianças políticas.
