Debate Sobre Segurança em Edificações de Saúde
O Brasil registra anualmente cerca de 300 mil ocorrências de incêndios. Deste total, aproximadamente 78 mil acontecem em edificações, e cerca de 900 afetam unidades de atendimento médico, como ambulatórios e centros de saúde. Somente no primeiro quadrimestre deste ano, 42 centros hospitalares foram atingidos pelas chamas, resultando em 10 feridos e uma fatalidade. Essas estatísticas alarmantes foram apresentadas no Seminário de Segurança Contra Incêndio em Edifícios de Saúde, realizado em 7 de abril na Santa Casa de Belo Horizonte.
A iniciativa busca promover a reciclagem técnica e a qualificação de arquitetos, urbanistas e engenheiros envolvidos na prevenção e combate a incêndios. “É essencial fortalecer a cultura de prevenção através de uma abordagem multidisciplinar”, destacou a arquiteta Patrícia Batista, diretora da filial mineira da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (ABDEH).
A Importância da Proteção Contra Incêndios
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Proteger contra incêndios é um dos aspectos mais críticos no planejamento e gestão de hospitais. Essa necessidade se intensifica pela urgência em garantir a segurança de pacientes, profissionais de saúde e visitantes. Minas Gerais ocupou o segundo lugar no Brasil em 2026 em termos de incidentes, com cinco casos registrados. O estado de São Paulo lidera com oito ocorrências, conforme dados do Instituto Sprinkler Brasil.
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU/MG) e a ABDEH, que organizou o evento, mantêm desde o ano passado uma parceria destinada à capacitação de profissionais na área de arquitetura e urbanismo. O objetivo é elevar a qualidade dos projetos arquitetônicos relacionados à saúde e aprimorar a legislação pertinente.
Cecília Fraga, presidente do CAU/MG, enfatizou que os avanços tecnológicos e as especializações nas construções de saúde exigem comprometimento e atenção rigorosa. “Arquitetos e urbanistas devem estar sempre atualizados quanto às normas, que frequentemente são revisadas, e aos procedimentos técnicos que garantem segurança nos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS)”, afirmou durante a abertura do simpósio.
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Exigências de Segurança em Edificações de Saúde
A primeira jornada do evento teve como destaque a palestra do engenheiro eletricista Marcos Kahn, especialista em proteção contra incêndios. Ele ressaltou que toda unidade de atendimento médico precisa atender a dez requisitos fundamentais do Sistema Básico de Segurança Contra Incêndio (SBSI). Entre essas exigências, estão: acesso viável para os veículos do Corpo de Bombeiros, estabilidade estrutural em caso de incêndio, rotas de evacuação e saídas de emergência adequadas e monitoramento dos materiais de finalização e cobertura.
Kahn, que atua como consultor e projetista de complexos de saúde, complementou a lista com outros elementos essenciais, como sinalização adequada, iluminação de emergência, alarmes contra incêndio, equipamentos de combate e planos de ação emergenciais. O engenheiro também destacou a importância de que os projetos arquitetônicos sejam claros quanto às divisões horizontais e verticais, que são cruciais para conter as chamas e gases tóxicos.
“Os projetos devem especificar o Tempo Requerido de Resistência ao Fogo (TRRF) de cada uma dessas estruturas, definindo as rotas de fuga e os caminhos para as saídas de emergência. Isso pode ser feito através de camadas distintas no CAD ou parametrização no BIM”, detalhou Kahn, autor do Manual de Segurança Contra Incêndio em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (OPAS/ANVISA, 2014).
Continuação do Seminário e Propostas Futuros
O seminário prossegue nesta terça-feira com apresentações técnicas sobre Sistemas Especiais de Segurança Contra Incêndio. A programação inclui também uma demonstração do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e um estudo de caso da própria Santa Casa. Em 2025, a instituição obteve seu primeiro Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), um marco que confirma o cumprimento rigoroso das diretrizes de segurança no setor. O painel contará ainda com uma mesa-redonda, liderada pela conselheira Anne Almeida, que preside a Comissão Especial de Política Urbana e Ambiental Sustentável do CAU/MG.
