Comemorações de Duas Décadas
O Instituto Inhotim, localizado em Brumadinho, Minas Gerais, se prepara para uma grande celebração de seus 20 anos de existência, marcada por três novas exposições a serem inauguradas no segundo semestre de 2026. A primeira, prevista para setembro, será uma mostra especial que homenageia as duas décadas de funcionamento do museu.
Em outubro, a programação será ampliada com o retorno da instalação icônica “The Murder of Crows”, que contará também com a adição de uma nova obra do renomado artista Cildo Meireles na Galeria que leva seu nome.
As festividades tiveram início no dia 25 de abril, com a inauguração de três obras: “Contraplano”, de Lais Myrrha; “Dupla Cura”, de Dalton Paula; e “Tororama”, de Davi de Jesus Nascimento. Considerado o maior museu a céu aberto da América Latina, o Inhotim une arte contemporânea e natureza exuberante em seus jardins botânicos.
Resgate da Memória do Museu
A exposição comemorativa dos 20 anos tem um caráter de resgate histórico, revisitando os marcos mais significativos da trajetória do Inhotim. Esta mostra será instalada no Centro de Educação e Cultura Burle Marx e busca oferecer uma experiência imersiva aos visitantes, celebrando a relevância da instituição e seu fundador, o empresário mineiro Bernardo Paz.
Outra parte das comemorações será a renovação arquitetônica da Galeria Cildo Meireles, que contará com a nova obra “Missão/Missões (Como construir catedrais)”. Além disso, a galeria já abriga exposições como “Desvio para o Vermelho”, “Glove Trotter” e “Através”.
Experiência Sensorial e Transformação pela Arte
O retorno de “The Murder of Crows” promete encantar o público com sua proposta única. A instalação sonora, criada pelos artistas canadenses Janet Cardiff e George Bures Miller, é composta por 98 alto-falantes que proporcionam uma experiência sensorial envolvente, mesclando elementos de realidade e sonho.
Karine dos Santos Reis, uma educadora física de 49 anos do Rio de Janeiro, descreveu sua visita ao Inhotim como transformadora. “A arte desengessa o teu pensamento. Você chega com uma ideia e sai com outra”, afirmou Karine, destacando as instalações “Lama Lâmina” e “Sonic Pavillion” como as mais impactantes de sua visita.
A obra “Lama Lâmina”, do artista Matthew Barney, apresenta uma estrutura geodésica composta de aço e vidro, onde um trator sustenta uma árvore esculpida em polietileno. O nome da obra faz referência a divindades do candomblé, ressaltando o engajamento do artista em causas ambientais.
Por sua vez, “Sonic Pavillion”, de Doug Aitken, utiliza microfones ultrassensíveis para captar os sons da terra em um poço tubular de 202 metros de profundidade, registrando os ecos dos movimentos do solo e provocando uma reflexão sobre a conexão entre arte e natureza.
Belezas Naturais e História de Inhotim
O coração do Inhotim é o espaço Tamboril, que abriga uma antiga casa da fazenda presente no terreno que hoje ocupa o instituto. Nesse local, uma imponente árvore tamboril, com entre 80 e 100 anos, se destaca como símbolo da natureza exuberante do jardim botânico.
A primeira edificação do museu é a Galeria True Rouge, destinada a abrigar uma obra do artista pernambucano Tunga, que faleceu em 2016. O acervo botânico de Inhotim conta com mais de mil espécies distribuídas em oito jardins temáticos, proporcionando uma rica experiência aos visitantes.
De acordo com Alita Mariah, diretora de Natureza, Infraestrutura e Operações, o Inhotim, que começou como uma coleção pessoal, evolui sua missão para não apenas celebrar a arte, mas também para se comprometer com a conservação das espécies nativas de seu território. “Hoje, o Inhotim é um espaço que promove tanto o colecionismo quanto a preservação ambiental”, concluiu Alita.
