Formato do debate e participação dos candidatos
Os principais candidatos ao governo de Minas Gerais se enfrentaram na noite desta terça-feira (29), em debate organizado pela TV Globo, previsto para iniciar às 22h15 no horário de Brasília. Participaram Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel (MDB), Mateus Simões (PSD) e Patrus Ananias (PT). O evento foi dividido em quatro blocos, com temas sorteados e debates que buscaram garantir a participação de todos os concorrentes, estabelecendo confrontos diretos e rodadas de perguntas entre os candidatos.
Primeiro bloco: Dívida pública, segurança e questões sociais
O primeiro bloco abordou temas como a dívida do Estado, turismo e cultura, feminicídio, reajuste dos servidores, facções criminosas e transporte público. Patrus Ananias defendeu a proposta de eliminar isenções fiscais e renegociar a dívida pública, alinhando-se com o discurso do governo federal. “Vamos trabalhar para acabar com isenções fiscais. Tenho a política de quem pode mais, paga mais; quem pode menos, paga menos; e quem não pode, não paga”, disse o candidato do PT.
Flávio Roscoe rebateu a proposta, argumentando que o fim das isenções não seria a solução adequada e que os incentivos fiscais ajudaram a aumentar a arrecadação estadual. Ele defendeu que empreendimentos mineiros devem gerar renda para o Estado de forma sustentável.
Sobre feminicídio, Mateus Simões criticou a ausência de recursos destinados à segurança pública por parte do senador Cleitinho Azevedo, que, segundo ele, concentrou emendas parlamentares apenas em Divinópolis. Simões ressaltou os investimentos realizados em seu governo para combater a violência contra a mulher e propôs iniciativas para inserir mulheres no mercado de trabalho e um programa de monitoramento contra o crime organizado.
Cleitinho respondeu que suas emendas foram distribuídas por todo o estado, mas que a prioridade foi inicialmente estruturar sua base administrativa. Ele também anunciou a intenção de promover a conscientização nas escolas sobre o respeito às mulheres, reforçando a responsabilidade do governo estadual na segurança pública.
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O debate sobre facções criminosas colocou em confronto Gabriel e Alexandre Kalil. O candidato do PDT defendeu o reajuste salarial dos policiais e afirmou que o combate às facções deve priorizar a recomposição do efetivo policial, relegando as cadeias a uma etapa posterior. Gabriel contestou, destacando a necessidade de bloquear celulares em presídios para impedir a comunicação das facções e propôs a criação de um centro integrado policial para ampliar a segurança.
Segundo bloco: Desenvolvimento regional e disputas ideológicas
No segundo bloco, Patrus Ananias enfatizou parcerias com prefeituras para implementar políticas públicas e impulsionar o desenvolvimento econômico em Minas Gerais. Já Cleitinho Azevedo destacou a necessidade de melhorar a infraestrutura, especialmente as estradas, e de desburocratizar a economia para gerar empregos no estado.
Flávio Roscoe e Cleitinho protagonizaram um embate sobre orientações ideológicas e propostas fiscais. Roscoe afirmou ser candidato de direita, alinhado ao PL, e rejeitou acordos com partidos do centro. Cleitinho, também se declarando de direita, afirmou que sua gestão será voltada para todos os cidadãos, com propostas como a redução do IPVA, apesar das críticas do adversário.
Alexandre Kalil criticou as propostas apresentadas por seus concorrentes, classificando-as como pouco viáveis diante da situação fiscal do estado. Ele ressaltou que a resolução da dívida pública é condição essencial para implementar qualquer medida, incluindo reajustes salariais e investimentos em segurança.
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Terceiro bloco: Foco regional e confrontos diretos entre candidatos
O terceiro bloco trouxe debates regionais, com foco no sul de Minas e nas regiões central e centro-oeste. Cleitinho Azevedo criticou a qualidade dos pedágios nas estradas privatizadas da região sul, classificando os contratos como desfavoráveis ao interesse público e prometendo revisar cada um deles. Alexandre Kalil considerou o problema dos pedágios fácil de resolver e destacou a importância do desenvolvimento do setor cafeeiro, sugerindo agregar valor ao produto para fomentar a economia local.
Simões e Kalil discutiram popularidade, com o primeiro afirmando que Kalil foi eleito o pior prefeito da história de Belo Horizonte, enquanto o atual governador rebateu questionando o desempenho de Simões e destacando seu próprio índice de aprovação. Segundo pesquisa Quaest, Kalil aparece com 9% das intenções de voto e Simões com 6%, configurando um empate técnico.
Na Zona da Mata, Simões apresentou investimentos realizados na saúde regional, como a implantação de equipamentos neurológicos e acelerador nuclear para radioterapia, além de destacar o combate ao empobrecimento da região. Gabriel respondeu que a prioridade deve ser o equilíbrio das contas públicas antes da execução de propostas e propôs ações ambientais para prevenção de alagamentos.
Considerações finais e próximos passos da campanha
O debate evidenciou as divergências entre os candidatos nas áreas fiscal, de segurança pública, desenvolvimento regional e políticas sociais. As propostas e críticas trocadas refletem estratégias para conquistar o eleitorado em uma disputa acirrada, com poucos dias restantes até a eleição. O resultado desse confronto direto entre candidatos pode influenciar a dinâmica da corrida ao governo mineiro e moldar as decisões administrativas dos próximos anos.
