Crescimento Excepcional nas Exportações de Petróleo
No primeiro trimestre de 2026, o volume de petróleo exportado do Brasil para a China mais do que dobrou, subindo a cifras históricas em um contexto marcado pelo início do conflito no Irã. Com a China dependente de quase 40% do petróleo que transita pelo Estreito de Hormuz, a guerra a forçou a buscar alternativas de fornecimento.
Segundo dados do governo federal, compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), as exportações de petróleo bruto do Brasil para a China atingiram um valor impressionante de US$ 7,2 bilhões, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de US$ 3,7 bilhões. O volume de petróleo exportado saltou 122%, subindo de 7.400 toneladas para 16,5 mil toneladas.
Essas exportações representaram 30% do total enviado do Brasil para a China, um aumento significativo de 11,2 pontos percentuais em comparação ao primeiro trimestre de 2025. Notavelmente, a China se tornou o destino de 57% das exportações brasileiras de petróleo, com esse número crescendo para 65% em março, mês em que o conflito se intensificou.
Fatores Geopolíticos Impulsionam o Setor
O crescimento expressivo das exportações está diretamente relacionado a fatores geopolíticos que levaram a China a diversificar suas fontes de suprimento. A Petrobras, já com forte presença no mercado chinês, surge como um fornecedor alternativo natural de matéria-prima.
Conforme mencionado por Aldren Vernersbach, economista-chefe do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), essa nova dinâmica se tornou ainda mais crucial em virtude do atual cenário internacional. Antes da guerra, aproximadamente 50% das importações de petróleo da China vinham do Oriente Médio. “Esse movimento é uma estratégia da China para garantir sua segurança energética. O atual conflito no Oriente Médio e a instabilidade no Estreito de Hormuz tornam essa busca por segurança ainda mais urgente”, explica Vernersbach.
Além das exportações para a China, o Brasil também viu um aumento nas vendas de petróleo para a Índia, que cresceram 78% em comparação ao mesmo período de 2025, totalizando US$ 1 bilhão. Esse crescimento se deve, em parte, a um acordo que o governo indiano firmou para reduzir a compra de petróleo da Rússia.
Exportações de Outros Produtos em Alta
Fora o petróleo, o CEBC registrou um aumento de 33,8% nas exportações de carne bovina do Brasil para a China, totalizando US$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre de 2026 e alcançando um recorde histórico para o período. Essa alta é consequência da salvaguarda implementada pela China, que levou os exportadores brasileiros a antecipar embarques para aproveitar a cota disponível.
As exportações de ferroligas também chegaram a um nível recorde, somando US$ 478 milhões, com 63% desse total sendo vendas de ferronióbio e 29% de ferroníquel, produtos importantes da cadeia de minerais críticos.
No total, as exportações do Brasil para a China cresceram 21,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao ano anterior, atingindo US$ 23,9 bilhões. Essa cifra representa o maior volume registrado nos primeiros três meses do ano desde que as medições começaram. A indústria extrativa respondeu por 49% das exportações, aumentando 8 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025.
Importações e Novas Tendências
No que diz respeito às importações, um destaque foi o incremento nas compras de veículos eletrificados, que cresceram cerca de 7,5 vezes em comparação com o primeiro trimestre de 2025, totalizando US$ 1,23 bilhão e representando 6% das importações brasileiras advindas da China. Esse aumento é atribuído, em parte, à antecipação de embarques por importadores diante do aumento gradual das tarifas sobre esses veículos, que devem subir para 35% em julho deste ano.
As importações de baterias recarregáveis de lítio também tiveram um desempenho expressivo, com crescimento de 49% em volume, totalizando 8,1 mil toneladas, e um aumento de 37% em valor, alcançando US$ 160 milhões.
No entanto, as importações brasileiras da China totalizaram US$ 17,9 bilhões, uma queda de 6% em comparação ao mesmo período do ano passado. Essa redução se deve ao fato de as importações de 2025 terem sido impulsionadas pela aquisição de um navio-plataforma para exploração de petróleo. Se desconsiderarmos essa compra, as importações teriam crescido 9,3% no primeiro trimestre de 2026.
