Cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência
Na terça-feira, 21 de abril, o Governo de Minas Gerais realizou a entrega da Medalha da Inconfidência na histórica cidade de Ouro Preto. A cerimônia, que acontece anualmente durante o feriado nacional de Tiradentes, homenageia Joaquim José da Silva Xavier, o inconfidente cuja execução completa 234 anos em 2026. Este evento é uma oportunidade de celebrar a memória de figuras que lutaram pela liberdade e são símbolos do movimento da Inconfidência Mineira.
A Medalha da Inconfidência foi criada em 1952 pelo então governador Juscelino Kubitschek e é concedida a personalidades e instituições que desempenham um papel significativo no desenvolvimento de Minas Gerais e do Brasil. A honraria é dividida em quatro categorias: Grande Colar, Grande Medalha, Medalha de Honra e a Medalha da Inconfidência. Uma tradição marcante é a simbólica transferência da capital do Estado para Ouro Preto durante a celebração, onde 170 agraciados foram homenageados, incluindo o Grande Colar.
A cerimônia foi conduzida pelo governador Mateus Simões, que ressaltou a importância de lembrar os inconfidentes: “Estar em Ouro Preto todo ano é uma chance de resgatar a história, exaltando as ações de quem lutou pela liberdade. Reforçar o valor da liberdade é imprescindível para nós, mineiros”.
No discurso, o governador Simoes enfatizou que “sem liberdade, nenhum valor se sustenta. A defesa da liberdade é a mais urgente de todas as lutas”.
Uma história de homenagens e reconhecimentos
Historicamente, a Medalha da Inconfidência contempla uma diversidade de agraciados, englobando autoridades dos três Poderes, militares, gestores públicos, educadores, artistas, empresários, líderes sociais e representantes de instituições. Esta honraria se estende desde chefes de Estado até cidadãos que se destacam em suas áreas, refletindo a importância de várias trajetórias que contribuem para o avanço econômico, social e cultural de Minas Gerais e do país.
Representando os distinguidos, o poeta Fabrício Carpinejar falou sobre diversos mineiros que são referências em suas áreas, incluindo o músico Lô Borges e o influenciador Henrique Costa Ferreira, que faleceram recentemente. Ele destacou o talento desses indivíduos que levaram o nome de Minas Gerais para todo o Brasil, mencionando também a importância de figuras como Adélia Prado, Pelé, Santos Dumont, Guimarães Rosa e Sebastião Salgado.
Além de Carpinejar, a cerimônia contou com a presença do ex-governador Romeu Zema, do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Tadeu Leite, e do prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, que também participaram da entrega das honrarias.
Grande Colar: A mais alta honraria
O Grande Colar é a mais prestigiosa distinção concedida pelo Governo de Minas, destinada exclusivamente a chefes de Estado e de Governo. Em 2026, a honraria foi concedida ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que assumiu seu mandato em 2023. Com uma carreira sólida na administração pública, Tarcísio ocupou cargos importantes, como ministro da Infraestrutura e diretor-executivo do Dnit.
Ao receber a medalha, ele comentou: “Ao receber essa comenda, não vejo como uma premiação, mas sim como um chamado para recordar que a liberdade é uma conquista diária. A Inconfidência representa um projeto de país”. Anteriormente, o Grande Colar foi concedido a figuras notáveis como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.
Ritos e tradições da solenidade
A entrega da Medalha da Inconfidência é marcada por duas partes distintas em Ouro Preto. O primeiro momento é a cerimônia militar na Praça Tiradentes, que inclui a participação dos Dragões da Inconfidência, o hasteamento da bandeira, a colocação de flores no monumento em homenagem ao mártir e uma salva de 21 tiros. Após essa etapa, a entrega das medalhas ocorre no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).
A data é significativa não apenas por suas homenagens, mas também por reforçar valores históricos fundamentais de Minas Gerais, como a defesa da liberdade e a construção democrática, além de lembrar o papel de Ouro Preto como antiga capital do estado entre 1823 e 1897.
