Transporte de sangue raro revoluciona atendimento emergencial
Santa Catarina protagonizou uma operação inédita ao transportar sangue raro na cabine de um avião comercial. A iniciativa, realizada em outubro, partiu de Florianópolis no dia 10 e foi a terceira do tipo no Brasil. A ação possibilitou que um paciente de Juiz de Fora, em Minas Gerais, recebesse o sangue com fenótipo Js(b-), uma tipagem extremamente rara.
O Hemosc (Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina) foi acionado para atender essa demanda. Ao identificar o perfil sanguíneo necessário, a equipe entrou em contato com o único doador registrado em Santa Catarina, morador de Joinville, no Norte do estado. O doador agendou a doação para o dia seguinte, garantindo o suprimento para o paciente mineiro.
Voos comerciais agilizam entrega e ampliam alcance do SUS
Utilizar aeronaves comerciais para o transporte de sangue raro reduz significativamente o tempo de entrega, superando as limitações do transporte como carga, que está sujeito a prazos mais longos e possíveis atrasos. Essa prática foi autorizada por uma atualização no Termo de Cooperação Técnica que regulamenta o transporte de órgãos, incluindo agora o envio de sangue raro em situações emergenciais do SUS (Sistema Único de Saúde).
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O Hemosc integra o Projeto Sangue Raro, coordenado pela Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados, que já realizou diversas trocas de bolsas de concentrados de hemácias com características sanguíneas incomuns. O Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR) identificou dez doadores compatíveis para o paciente de Minas Gerais, mas só quatro tiveram suas características confirmadas, o que revela a escassez desse tipo sanguíneo.
O transporte ocorre gratuitamente em voos comerciais, com embalagens especiais que mantêm a temperatura entre 1°C e 10°C, garantindo a integridade do sangue. Essa modalidade foi viabilizada após um acordo entre a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e as companhias aéreas, formalizado recentemente.
Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes, sendo 1.716 realizados em voos comerciais e 300 em aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira). O transporte de sangue raro na cabine de avião comercial teve sua estreia em 12 de setembro, de São Paulo para o Piauí. Em 9 de outubro, ocorreu a segunda operação do Ceará para Juiz de Fora (MG), seguida pelo voo de Florianópolis em 10 de outubro.
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Entenda o que torna o sangue raro tão difícil de ser encontrado
A compatibilidade sanguínea ultrapassa os sistemas ABO (A, B, AB e O) e o fator Rh positivo ou negativo. A Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue (ISBT) reconhece 49 sistemas de grupos sanguíneos, 398 antígenos e 2.001 variações genéticas, evidenciando a complexidade na identificação do sangue compatível.
As hemácias possuem diferentes antígenos em sua superfície, que precisam ser considerados na transfusão. Exames de fenotipagem e genotipagem são essenciais para identificar essas características específicas. Um perfil sanguíneo é classificado como raro quando ocorre em menos de uma entre mil pessoas testadas, o que dificulta encontrar doadores compatíveis, especialmente em emergências.
Por isso, o transporte rápido e seguro dessas bolsas de sangue, como o realizado entre Joinville e Juiz de Fora, faz toda a diferença no atendimento e na sobrevivência dos pacientes que dependem desse cuidado.
