Reconhecimento da Cultura Tradicional em Poços de Caldas
No dia 7 de maio de 2026, os Ternos de Congos e os grupos de Caiapós da cidade de Poços de Caldas foram oficialmente reconhecidos como Patrimônio Cultural de Minas Gerais. A entrega simbólica deste título aconteceu no icônico Palace Hotel, durante a 59ª Reunião Extraordinária itinerante do Conselho Estadual de Política Cultural de Minas Gerais. O evento contou com a presença do secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira.
Ao receber a honraria, os Ternos de Congos e os Caiapós foram celebrados por suas expressões culturais, que mantêm vivas as tradições ligadas ao Rosário em Minas Gerais. Este reconhecimento, concedido pelo Instituto Estadual de Proteção do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas (IEPHA-MG), visa proteger tanto bens materiais – como edifícios e locais – quanto imateriais, como saberes e celebrações que compõem a rica tapeçaria cultural do estado.
A lista dos grupos que receberam a declaração inclui o Terno de Congos São Benedito, Terno de Congos São Jerônimo e Santa Bárbara, Terno de Congos Santa Ifigênia, entre outros. Este momento foi marcado pela entrega dos certificados pelo secretário Leônidas Oliveira, representando o governador de Minas Gerais, Mateus Simões. Emocionado, Oliveira destacou a importância da “afromineiridade” e das políticas públicas que visam a valorização das culturas tradicionais.
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Eduarda Carimbá, presidente da Associação dos Ternos de Congos e Caiapós, expressou sua alegria ao receber o reconhecimento: “É uma honra para nós, que lutamos para manter nossa cultura viva e representar nossos antepassados. Este reconhecimento é fundamental para os nossos congadeiros e caiapós,” enfatizou.
O secretário municipal de Cultura, Nando Gonçalves, também ressaltou a relevância do reconhecimento: “Os Ternos de Congos e os grupos de Caiapós são portadores de saberes ancestrais e de uma resistência cultural que é essencial. Essa declaração reforça nosso compromisso com a preservação dessas manifestações culturais que são tão significativas para Minas Gerais e para o Brasil,” afirmou.
Surpresa e Orgulho para os Congadeiros
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Gustavo Dutra, diretor de Políticas Culturais, compartilhou a surpresa dos congadeiros ao receber a declaração: “Eles acreditavam que apenas se apresentariam, e receber essa honraria foi uma grande surpresa. Ver nossos congadeiros e caiapós serem reconhecidos é motivo de orgulho para toda a comunidade e demonstra a importância das políticas públicas de salvaguarda do patrimônio imaterial,” disse.
A tradição dos Congos, presente em Poços de Caldas, envolve tambores que reverenciam a fé e a devoção ao Santo Negro, refletindo o sincretismo característico da Cultura Mineira. De acordo com o Dossiê de Registro do Bem Imaterial da Festa de São Benedito, elaborado pela Divisão de Patrimônio Construído e Tombamento, o Congado é uma dança que simboliza a coroação do Rei Congo e da Rainha Ginga de Angola, acompanhada de cortejos e música. Essa manifestação cultural e religiosa de origem africana tem sua expressão em várias regiões do Brasil, sempre ligada à devoção a São Benedito e à imagem de Nossa Senhora do Rosário.
Reunião do CONSEC e Avaliações de Políticas Culturais
O dia também foi marcado pela realização da reunião itinerante do Conselho Estadual de Política Cultural de Minas Gerais, que teve a participação da presidente do CONSEC-MG, Maristela Rangel, e transmissão simultânea para os conselheiros. Leônidas Oliveira não apenas falou sobre a importância da cultura, mas também apresentou resultados da Política Nacional Aldir Blanc e discutiu o processo eleitoral do CONSEC, além de outros informes relevantes para o setor cultural.
Assim, a declaração dos Ternos de Congos e Caiapós como Patrimônio Cultural de Minas Gerais não apenas celebra a riqueza cultural de Poços de Caldas, mas também representa um passo significativo na preservação e valorização das tradições que formam a identidade mineira.
