Mudanças no Funcionamento dos Supermercados
A recente análise da NEO Estech revela que uma possível alteração na operação dos supermercados em Minas Gerais, especificamente o fechamento aos domingos, pode resultar em uma economia de energia que atinge R$ 50 milhões por ano. Essa estimativa surge em meio ao debate nacional sobre a redução da jornada de trabalho, que está sob discussão na tramitação da PEC 148/2015. A pesquisa sugere que uma diminuição de 5% no consumo energético seria viável. Contudo, a NEO Estech alerta para os riscos operacionais que essa mudança pode acarretar, uma vez que o fechamento das lojas aos domingos pode impactar o manejo de equipamentos e produtos perecíveis.
Impactos Financeiros no Setor Supermercadista
O estudo analisou 1.246 unidades de supermercados em Minas Gerais, abrangendo algumas das 500 maiores redes do Brasil. De acordo com os dados, se essas lojas deixarem de funcionar aos domingos, a economia anual pode alcançar R$ 14 milhões apenas entre essas grandes redes. Contudo, ao incluir supermercados regionais e independentes, esse valor ultrapassa os R$ 50 milhões. Durante um ano, o fechamento dominical se apresenta como uma alternativa viável para ajustes operacionais e contenção de custos, especialmente no que diz respeito ao consumo de eletricidade.
Metodologia da Análise da NEO Estech
Para fundamentar as projeções, a NEO Estech utilizou simulações técnicas que consideram uma redução média de 5% no consumo de energia. Esses cálculos se basearam em médias setoriais de consumo por metro quadrado e nas tarifas de energia praticadas no mercado local. A empresa descreve suas conclusões como conservadoras, uma vez que fatores como o modelo da loja e a eficiência energética dos equipamentos podem alterar os resultados. Supermercados mais modernos e eficientes têm um desempenho energético distinto em comparação com estabelecimentos mais antigos.
Dimensões Nacionais da Economia Energética
Não se limita a Minas Gerais a possível economia que advém do fechamento dominical. No âmbito nacional, o fechamento das 10.179 lojas das 500 maiores redes poderia gerar uma economia de até R$ 114 milhões anualmente. Cada unidade, em média, teria um potencial de economia de cerca de R$ 11 mil por ano. Embora esse valor individual possa parecer modesto, o efeito cumulativo é significativo, evidenciando a relevância da economia energética no varejo.
Considerações sobre Riscos Operacionais
Apesar da perspectiva otimista em termos de economia, o estudo destaca que os riscos operacionais não podem ser ignorados. O fechamento aos domingos pode resultar em um período de até 34 horas sem monitoramento humano em sistemas críticos, como refrigeração. Sami Diba, CEO da NEO Estech, enfatiza que falhas podem passar despercebidas até a reabertura das lojas, o que pode transformar as economias esperadas em custos adicionais. Uma oscilação na temperatura, por exemplo, pode gerar perdas significativas de produtos.
Desafios com Produtos Perecíveis
Falhas técnicas podem causar prejuízos a alimentos perecíveis sem um alerta imediato. Quando o problema é detectado, o dano pode já estar consumado. Além disso, sistemas de climatização exigem monitoramento contínuo. A falta de um acompanhamento eficiente torna o risco ainda mais elevado, de acordo com Diba. Ele ressalta a necessidade de que a economia obtida com a redução do consumo de energia não seja anulada por perdas maiores devido à falta de monitoramento adequado e respostas rápidas.
Impacto Reputacional e Sanitário
Outro fator a ser ponderado é a reputação das marcas. Em um mercado tão competitivo quanto o de supermercados, a credibilidade é um ativo inestimável. Falhas operacionais não apenas geram prejuízos financeiros, mas também podem afetar a imagem da empresa. Em Minas Gerais, onde o setor possui uma forte presença, o impacto reputacional é ainda mais significativo.
Perspectivas para o Setor Supermercadista
Com um potencial de economia superior a R$ 50 milhões ao ano, a proposta de fechamento dominical se mostra uma oportunidade clara para a redução de custos em um setor que lida com margens cada vez mais apertadas. Entretanto, é fundamental que os riscos operacionais sejam geridos de maneira estratégica. A falta de inspeção por longos períodos demanda soluções que incluam monitoramento remoto, sensores inteligentes e protocolos de resposta ágil. Em última análise, a discussão sobre o fechamento dos supermercados aos domingos transcende o simples consumo de energia, colocando em jogo a segurança operacional e a confiança dos consumidores. À medida que a PEC 148/2015 avança, o setor observa atentamente seus desdobramentos, ciente de que a promessa de economia energética deve ser acompanhada de uma gestão eficaz dos riscos envolvidos.
