O Impacto da Tecnologia no Voto
No Brasil, o projeto “Amazônia Que Eu Quero 2026” surge como uma resposta à alta abstenção eleitoral, que superou os 20% no Amazonas nas últimas eleições de 2022. Com mais de 2,8 milhões de eleitores no estado, a iniciativa promove uma discussão sobre o uso das tecnologias digitais na participação política e na escolha de representantes. A advogada Denise Coêlho destaca que a tecnologia empodera o eleitor, permitindo que ele tenha um papel mais ativo na fiscalização do processo eleitoral.
A proposta central do projeto é explorar como a tecnologia pode facilitar o exercício da cidadania. Com o tema “Democracia na era digital: o uso das novas tecnologias no processo eleitoral”, a Fundação Rede Amazônica busca destacar a importância da informação na formação da opinião pública. Mariane Cavalcante, diretora executiva da fundação, enfatiza a missão do projeto: “Trazer informações para a população, de forma que ela possa ter um julgamento crítico ao escolher seus gestores publicos”.
A Abstenção Eleitoral no Amazonas
O cenário eleitoral no Amazonas é preocupante, principalmente considerando que, no primeiro turno das eleições de 2022, 532.701 eleitores não compareceram, totalizando 20,12% do eleitorado. No segundo turno, a situação foi ainda mais alarmante, com 578.630 ausências, representando 21,85%. A análise do coordenador de auditoria interna do TRE-AM, Hernan Gonçales, aponta que fatores geográficos são determinantes para essa abstenção. “As dificuldades de locomoção, especialmente em áreas ribeirinhas e indígenas, contribuem para a falta de comparecimento às urnas.”
Em resposta a esses desafios, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas tem aumentado os pontos de atendimento e promovido mutirões, tanto na capital quanto no interior, com foco na regularização do cadastro eleitoral e na conscientização sobre a relevância do voto.
O Papel da Tecnologia nas Eleições
O projeto “Amazônia Que Eu Quero 2026” discute também o papel da tecnologia como uma aliada no processo democrático. A advogada Denise Coêlho ressalta que o uso de celulares e aplicativos pode transformar o cidadão em um fiscal das eleições. “Com a popularização dos smartphones, muitos eleitores podem registrar e reportar situações suspeitas diretamente ao tribunal”, explica. No entanto, ela alerta para a necessidade de um uso responsável das tecnologias, especialmente em tempos eleitorais, onde a desinformação e manipulação de dados podem ser um risco.
Engajamento dos Jovens e o Futuro da Democracia
O projeto também busca dialogar com os jovens, que estão se preparando para votar pela primeira vez em 2026. Isabela Pacheco, de 17 anos, compartilha sua experiência: “Eu já pesquisei sobre os candidatos. Busquei me informar com pessoas em quem confio e que podem causar um impacto positivo na nossa região”. Seu colega de classe, Cauã da Silva, também de 17 anos, comenta sobre o acompanhamento das notícias: “Estou sempre atento ao que acontece no noticiário, pesquisando aos poucos”.
O exercício da cidadania, portanto, não se limita ao dia da votação, mas envolve um processo contínuo de acesso à informação e reflexão crítica sobre a escolha dos representantes. As eleições gerais estão agendadas para outubro de 2026, e iniciativas como a “Amazônia Que Eu Quero 2026” são fundamentais para garantir que o poder do voto esteja nas mãos de cada eleitor, refletindo suas necessidades e aspirações.
