Ministro aponta falta de iniciativas do governo estadual
O Governo Federal voltou a responsabilizar o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pela inexistência de obras estruturantes que poderiam prevenir desastres naturais no estado. A crise, que já resultou em 70 mortes devido às intensas chuvas, foi tema de uma nova crítica pública feita pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. Durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (2), no Palácio do Planalto, Rui destacou que o Executivo mineiro não apresentou projetos que permitissem o acesso a recursos federais voltados para medidas de contenção, como obras em encostas e sistemas de macrodrenagem.
A declaração foi feita ao lado do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, após uma reunião com os prefeitos de Ubá e Juiz de Fora, duas das cidades mais afetadas pelos temporais que assolam a região. Rui Costa mencionou que, atualmente, cerca de R$ 3,5 bilhões estão disponíveis no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para Minas Gerais. No entanto, ressaltou que as propostas para acessar esse montante foram apresentadas apenas pelos municípios, e não pelo governo estadual. “Infelizmente, o governo do Estado não apresentou propostas para a prevenção de acidentes, tanto em 2023 quanto nas previsões para 2024 e 2025”, disse o ministro.
Propostas rejeitadas e críticas ao governo estadual
Rui Costa também informou que, na primeira seleção do novo PAC focada em obras de prevenção de desastres, Minas Gerais havia enviado somente duas propostas, que foram consideradas “completamente desenquadradas tecnicamente”. Em suas declarações, o ministro enfatizou que “o Estado de Minas Gerais não demonstrou interesse em apresentar sequer a proposta” adequada para a captação dos recursos disponíveis.
De maneira crítica, Rui Costa apontou que o Brasil estaria dividido entre “aqueles que fazem e aqueles que gravam vídeos”, uma alusão direta ao governador Zema, que respondeu às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) através das redes sociais. Esse embate vem se intensificando desde a semana passada, quando Lula responsabilizou o governo estadual pela falta de iniciativas que permitissem o acesso aos recursos federais voltados para a prevenção de desastres.
Respostas e reações nas redes sociais
Na ocasião, o ministro das Cidades, Jader Filho, também mencionou que o governo federal havia reservado R$ 3,5 bilhões para Minas, mas que o valor não foi utilizado devido à ausência de projetos adequados enviados pelo Executivo estadual. Em resposta às declarações, Zema utilizou suas redes sociais para classificar as críticas como “inaceitáveis” e acusou o presidente de disseminar “fake news”. O governador defendeu que Minas apresentou projetos que totalizam mais de R$ 9 bilhões dentro do PAC, e que, até o momento, apenas R$ 280 milhões teriam sido liberados pelo governo federal.
A troca de acusações entre os líderes estaduais e federais ocorre em um momento em que equipes estaduais e federais estão mobilizadas para atender as cidades que enfrentam deslizamentos e alagamentos. Durante uma visita ao estado, Lula determinou a instalação de um escritório de resposta federal na Prefeitura de Juiz de Fora, visando acelerar as ações emergenciais necessárias para a população afetada.
O governo de Minas Gerais foi contatado para se pronunciar sobre as declarações de Rui Costa, porém ainda não há retorno sobre o assunto.
