Fortalecimento dos Laços entre UFMG e HUST
Na manhã desta quarta-feira, 22, as culturas brasileira e chinesa se entrelaçaram no campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O embaixador da República Popular da China no Brasil, Zgu Qingqiao, e o vice-reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong (HUST), Wen Jingyu, foram recebidos em um evento que reforçou a cooperação acadêmica entre as instituições. O encontro incluiu um fórum acadêmico e a assinatura de um Memorando de Cooperação, que visa aumentar a mobilidade acadêmica e fomentar pesquisas conjuntas, além de integrar o Instituto Confúcio – gerido em conjunto pelas duas universidades – ao programa Minas Bilíngue do governo mineiro.
Durante o evento, a UFMG também apresentou um novo curso de Tecnologia em Secretariado, que será oferecido em formato bilíngue, com previsão de início da primeira turma para o primeiro semestre de 2027. Este curso é resultado de uma colaboração entre a Faculdade de Letras (Fale), o Instituto Confúcio e a HUST. O projeto já foi submetido à Câmara de Graduação da UFMG e agora será analisado pelos conselhos superiores da instituição.
O reitor Alessandro Fernandes Moreira destacou as etapas significativas na relação entre a UFMG e a HUST, relembrando que a parceria foi estabelecida em 2013, com a criação do Instituto Confúcio, que se tornou um marco no ensino de mandarim e na disseminação da cultura chinesa em Minas Gerais. Ele também mencionou a ajuda enviada pela HUST durante a pandemia de covid-19, quando cinco mil máscaras foram doadas à UFMG, o que facilitou a comunicação entre pesquisadores mineiros e cientistas de Wuhan, epicentro da doença.
Inovações e Desafios no Campo Acadêmico
Em 2024, a UFMG lançou a primeira edição da Brazil-China Summer School on Legal Studies, que no ano seguinte foi aprimorada e transformada na BRICS Legal Studies School. Moreira anunciou que, nos últimos cinco anos, as duas universidades publicaram 20 trabalhos em coautoria, muitos com foco em tecnologias sustentáveis. Ele enfatizou que há um grande interesse do Brasil em cooperação com a China em áreas como transição energética, onde a UFMG já realiza pesquisas avançadas. O reitor também mencionou planos para o futuro campus da UFMG em Betim, que será um smart campus inspirado nos modelos chineses.
“A assinatura deste memorando de cooperação é um passo importante para fortalecer a pesquisa conjunta, a mobilidade acadêmica e o ensino bilíngue. Estamos vislumbrando colaborações em áreas estratégicas da ciência voltadas para tecnologia e inovação, com ênfase em inteligência artificial, sustentabilidade e energia. A relação entre a UFMG e a HUST é um exemplo de rigor, diversidade e solidariedade, promovendo não apenas uma conexão mais forte entre nossas instituições e países, mas também contribuindo para o cenário do BRICS”, afirmou.
Cultura em Foco: O Encontro de Sabores
Além das discussões acadêmicas, o evento também inaugurou a exposição “Sabores que atravessam oceanos e montanhas”, que destaca as rotas históricas do chá e do café. A mostra, que ficará em cartaz no saguão da Reitoria da UFMG até 22 de junho, é parte das celebrações do Ano da Cultura China-Brasil e simboliza o intercâmbio cultural entre as duas nações. Com curadoria que envolve as escolas de Arquitetura da UFMG e da HUST, a exposição apresenta a influência cultural e histórica dessas bebidas, complementada com painéis ilustrativos, exibições multimídia e demonstrações da arte do chá e do preparo do café.
O embaixador Zgu Qingqiao ressaltou que as relações entre Brasil e China estão em seu auge, e que a colaboração em ciência e tecnologia é essencial para a construção de um futuro mais sustentável e justo. Ele destacou a relevância do entendimento cultural para promover a compreensão entre os povos, afirmando que iniciativas como a exposição são fundamentais para estreitar laços e fomentar um ambiente propício ao desenvolvimento mútuo.
“Estamos em um momento crucial para a construção de um futuro compartilhado. A UFMG, com seu compromisso de fomentar a diversidade nas parcerias, busca diálogo direto com a China, sem intermediários. Essa abordagem é vital para fortalecer as relações e promover um entendimento mais profundo”, concluiu o diretor de Relações Internacionais da UFMG, Aziz Tuffi Saliba.
