Flávio Bolsonaro em Defesa de Zema e Críticas ao STF
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se manifestou, nesta quarta-feira (22), sobre o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a quem considera “mais uma vítima da militância do Judiciário”. Em suas declarações, Flávio reiterou sua acusação de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estariam intervindo no processo eleitoral para criar um desequilíbrio nas disputas políticas.
Em resposta a Flávio, Zema não hesitou em criticar o STF, chamando-o de “incendiário” após ser alvo de uma notícia-crime apresentada pelo ministro Gilmar Mendes a Alexandre de Moraes. O pedido de investigação sobre Zema surge após o ex-governador ter publicado um vídeo nas redes sociais que envolve um boneco imitando Gilmar Mendes em uma conversa satírica com um fantoche que representa o ministro Dias Toffoli.
Durante uma feira ligada ao agronegócio em Sinop (MT), onde esteve presente, Flávio expressou solidariedade a Zema, afirmando que “é mais uma vítima deste ativismo judicial, que é muito lamentável”. Ele ressaltou que desde 1988, nenhum parlamentar foi condenado pelo STF por calúnia, aludindo à proteção da imunidade parlamentar garantida pela Constituição.
A notícia-crime de Gilmar foi impulsionada pela divulgação do vídeo em que os bonecos discutem sobre a suspensão de uma decisão judicial que envolvia a quebra de sigilos, em meio a investigações da CPI do Crime Organizado. Flávio argumentou que a ação do STF visa criar um canal de “prevenção” para que adversários políticos busquem soluções rápidas na corte ao invés de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No último mês, Flávio Bolsonaro já havia feito críticas a Moraes, especialmente após ser alvo de um inquérito por calúnia contra o presidente Lula (PT). O inquérito foi autorizado por Moraes, baseado nas afirmações de Flávio sobre o sequestro do ditador Nicolás Maduro, em que ele insinuava um possível desvio de caráter do governo atual.
A Indignação de Zema e Propostas de Alterações no STF
Flávio também comentou sobre a necessidade de o presidente do STF, Edson Fachin, permitir que os eleitores escolham livremente o próximo presidente do Brasil, sem interferências do tribunal. Em seu discurso durante o evento em Sinop, Flávio estava acompanhado de aliados políticos, como o senador Wellington Fagundes (PL-MT) e o deputado federal José Medeiros (PL-MT).
Na mesma linha, Zema, em Brasília, condenou a postura atual do STF, informando que a instituição, que antes era vista como um “bombeiro” nos momentos de crise do país, agora age como um “incendiário”, exacerbando os problemas ao invés de solucioná-los.
Em resposta à ação de Gilmar Mendes, parlamentares de oposição se mobilizaram para apresentar uma nova proposta de impeachment contra o ministro, além de levar uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) e uma manifestação a Edson Fachin. Zema declarou que essa situação representa um “atentado à democracia”, afirmando que ações como caricaturas e ironias não deveriam levar a uma repressão à liberdade de expressão.
O ex-governador expressou seu desejo de ver os ministros do STF, a quem chama de “intocáveis”, substituídos por pessoas comprometidas com os valores democráticos. Ele também apresentou propostas para reformar a estrutura do STF, sugerindo que a escolha de novos ministros envolva critérios rigorosos, como a exigência de terem mais de 60 anos e a eliminação das decisões monocráticas.
Além disso, Zema enfatizou a importância de que a abertura de um processo de impeachment contra ministros dependa apenas da maioria do Senado, sem depender de uma presidência que ele considera omissa. Mesmo com a crítica a Lula e suas indicações para o STF, Zema reconheceu que outros presidentes também cometeram erros nesse aspecto.
Possibilidades de Coligação e Futuro Político
Durante o encontro com deputados de seu partido, surgiram especulações sobre uma possível coligação entre Zema e Flávio Bolsonaro para as próximas eleições. Embora Zema tenha se mostrado comprometido a manter sua candidatura até o fim, aliados acreditam que um acordo entre ambos é uma possibilidade viável. Zema afirmou que não houve um pedido formal de coligação até o momento, mas que a união entre candidatos da direita certamente ocorrerá no segundo turno das eleições.
Flávio, por sua vez, reiterou seu compromisso com a Ferrogrão, uma ferrovia que pretende facilitar o transporte de soja do estado de Mato Grosso para os portos do Pará, um projeto que controversamente se choca com a preservação de áreas indígenas.
