Reunião no Palácio do Planalto
Brasília (DF) – O Governo Federal decidiu intensificar o apoio a Minas Gerais, em resposta aos severos danos causados pelas chuvas intensas que assolaram o estado nos últimos dias. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, esteve presente, nesta segunda-feira (2), em uma reunião no Palácio do Planalto, acompanhado por outros representantes do governo, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão. Durante o encontro, os prefeitos das cidades afetadas apresentaram as principais demandas e prioridades no enfrentamento da crise.
Em Juiz de Fora, as fortes chuvas resultaram em um aumento no número de deslizamentos de terra e tragicamente em mais mortes, o que torna a reconstrução das casas para os moradores afetados uma prioridade emergencial. “O presidente Lula ordenou que os ministérios, com especial atenção ao das Cidades e à Caixa Econômica Federal, atuem rapidamente, aproveitando a experiência adquirida no Rio Grande do Sul”, explicou o ministro Rui Costa. Ele destacou que será utilizado um método mais ágil, conhecido como Compra Assistida, que conecta as ofertas de venda de imóveis às necessidades dos desabrigados. O cadastro para esse processo será aberto ainda esta semana, permitindo que não apenas os moradores de Juiz de Fora, mas também de outras cidades afetadas se inscrevam.
Impactos em Ubá e Ações de Apoio
No município de Ubá, as chuvas afetaram gravemente o centro da cidade, prejudicando tanto o comércio quanto a indústria local. O ministro Rui Costa reafirmou o compromisso do governo em replicar o modelo de assistência utilizado no Rio Grande do Sul, anunciando a abertura de novas linhas de crédito para ajudar na recuperação econômica da região. “Acreditamos que esse suporte será essencial para mitigar os impactos econômicos e sociais que a população está enfrentando”, declarou.
Recursos Destinados ao Enfrentamento do Desastre
Até o momento, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) já alocou R$ 16,1 milhões para ações emergenciais. Esses recursos abrangem 11 planos de trabalho, que incluem assistência humanitária, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução de infraestruturas danificadas. Os investimentos em assistência humanitária contemplam a compra de cestas básicas, kits de higiene e material de limpeza, além de colchões e combustível, enquanto os fundos para restabelecimento visam a limpeza de vias públicas.
Para Juiz de Fora, estão previstos R$ 2,1 milhões destinados à assistência humanitária e R$ 835,5 mil para o restabelecimento. Já em Ubá, o planejamento inclui R$ 482,4 mil para assistência humanitária e cerca de R$ 5 milhões para a reconstrução de estruturas essenciais. No município de Matias Barbosa, estão sendo destinados R$ 1 milhão e R$ 245,9 mil para as duas áreas mencionadas.
Monitoramento da Barragem de Porteirinha
Em relação à Barragem de Lages, situada na zona rural de Porteirinha, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) enviou uma equipe técnica para avaliar o risco de rompimento da estrutura. O MIDR já reconheceu a situação de emergência na cidade e dois alertas de nível extremo foram emitidos, solicitando a evacuação dos moradores em áreas de risco. “O monitoramento continua sendo uma prioridade, e qualquer risco à vida da população será devidamente tratado com urgência pelas autoridades”, enfatizou o ministro Waldez.
Previsões e Recomendações
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alertou sobre a possibilidade de chuvas intensas continuarem em Minas Gerais e em outras regiões do Nordeste e Norte do Brasil até a próxima quarta-feira (4). Os alertas indicam que as precipitações podem passar de 60 milímetros por hora, apresentando riscos de alagamentos e deslizamentos de terra. “Recomendamos que a população siga as orientações das defesas civis e evite áreas de risco”, afirmou Tiago Molina Schnorr, coordenador-geral de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil Nacional.
Dados Atualizados dos Municípios Afetados
As estatísticas mais recentes indicam que em Juiz de Fora houve 65 mortes, com 8.049 pessoas desalojadas e 535 desabrigadas. Em Ubá, os números são igualmente alarmantes, com sete mortes, uma pessoa desaparecida, 732 desalojados e 26 desabrigados. O acesso aos recursos federais para apoio nas ações de resposta e assistência humanitária depende do reconhecimento oficial da situação de emergência ou calamidade pública, conforme estabelecido pelo MIDR.
